Inflação de 0,18% em novembro faz IPCA voltar para meta; Fortaleza tem 2ª maior alta do País

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O resultado do País para novembro é o menor para o mês desde 2018.  No referido mês, o principal impacto que gerou alta no indicador de inflação veio das passagens aéreas (11,9%) Foto: Divulgação/IBGE

A chamada inflação oficial fechou o mês de novembro em 0,18% no País, resultado que faz o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumular 4,46% em 12 meses. Na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) o indicador ficou em 0,42% ante -0,02% em outubro.

Além de ficar acima da média nacional em novembro, o IPCA na RMF foi o segundo maior dentre as capitais pesquisadas. O índice ficou logo abaixo de Goiânia (0,44%), que liderou o ranking do País no mês.

Brasil

Dessa forma, o IPCA volta para o limite da meta do governo, de até 4,5% no acumulado de 12 meses. O índice chegou a ficar 13 meses fora do intervalo de tolerância. Nos 12 meses terminados em outubro, o IPCA era de 4,68%. Em abril deste ano, o acumulado chegou a marcar 5,53%.

Os dados foram divulgados na quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado de novembro é o menor para o mês desde 2018, quando a variação foi de -0,21%.  

Em outubro, o IPCA havia sido de 0,09%. O principal impacto para a aceleração de outubro para novembro foi o preço das passagens aéreas, que subiu 11,9%, representando 0,07 ponto percentual (p.p.) da inflação total do mês.

No ano, a inflação no Brasil acumula alta de 3,92% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,46%. Em novembro de 2024, a variação havia sido de 0,39%. Os resultados foram divulgados hoje (10) pelo IBGE.

Maiores altas

Em novembro, o principal impacto que gerou aumento no índice veio do subitem passagem aérea (11,9%), com 0,07 ponto percentual (p.p.). Outras influências positivas foram a energia elétrica residencial, que subiu 1,27%, puxada por reajustes tarifários em algumas concessionárias, e hospedagem, no grupo Despesas Pessoais. O subitem variou 4,09% em novembro, com destaque para a alta de cerca de 178% registrada em Belém, em razão da COP-30.

Baixas

Em relação às quedas, de acordo com Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, os destaques são para os itens de higiene pessoal (-1,07%) e produtos alimentícios importantes na mesa das famílias, como o tomate (-10,38%) e o arroz (-2,86%): “O cereal registrou uma trajetória de variações negativas ao longo de todo o ano de 2025, acumulando queda de 25%”.

Assim, em novembro, o grupo Alimentação e bebidas voltou para o patamar negativo, registrando variação de -0,01%, com a alimentação no domicílio (-0,20%) fechando em queda pelo sexto mês consecutivo. A alimentação fora do domicílio variou 0,46% no mês, com desaceleração no lanche, que saiu de 0,75% em outubro para 0,61% em novembro, e na refeição, que foi de 0,38% para 0,35% em igual comparativo.

O índice de difusão em novembro, ou seja, o percentual de subitens que tiveram resultado positivo, foi de 56%, 4,0 pontos percentuais (p.p) acima do índice de outubro, com o percentual dos não alimentícios ficando em 49%. 

Alimentos sobem

Já o índice para os alimentícios saiu de 49% em outubro para 64% em novembro. “Mesmo com este percentual maior de variações positivas nos alimentos, dado os pesos e a magnitude das quedas registradas em alguns subitens, o grupo Alimentação e bebidas encerrou novembro com variação negativa de 0,01%”, ressalta Fernando.

Nos serviços, que aceleraram de 0,41% para 0,60% em novembro, os destaques ficaram com a alta da passagem aérea e da hospedagem. Já nos monitorados, a variação de 0,21%, após a queda de 0,16% de outubro, foi impulsionada pela energia elétrica residencial.

Quanto aos índices regionais, a maior variação foi registrada em Goiânia (0,44%), sob influência da alta da energia elétrica residencial (13,02%) e das carnes (1,78%). A menor variação (-0,10%) foi registrada em Aracaju, em razão da queda no conserto de automóvel (-3,75%) na gasolina (-1,40%).

INPC tem alta de 0,03% em novembro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,03% em novembro. No ano, o acumulado é de 3,68% e, nos últimos 12 meses, de 4,18%, abaixo dos 4,49% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em novembro de 2024, a taxa foi de 0,33%.

Os produtos alimentícios passaram de 0,00% em outubro para -0,06% em novembro. A variação dos não alimentícios passou de 0,04% em outubro para 0,06% em novembro.

Quanto aos índices regionais, a maior variação (0,51%) ocorreu em Goiânia, por conta da energia elétrica residencial (13,05%) e das carnes (1,48%). A menor variação ocorreu em Belém (-0,26%), em razão da queda no ônibus urbano (-15,54%) e nos artigos de higiene pessoal (-3,20%).


Veja o comportamento dos grupos pesquisados pelo IBGE:

Alimentação e bebidas: -0,01% (0,00 p.p.)

Habitação: 0,52% (0,08 p.p.)

Artigos de residência: -1,00% (-0,03 p.p.)

Vestuário: 0,49% (0,02 p.p.)

Transportes: 0,22% (0,04 p.p.)

Saúde e cuidados pessoais: -0,04% (0,00 p.p.)

Despesas pessoais: 0,77% (0,08 p.p.)

Educação: 0,01% (0,00 p.p.)

Comunicação: -0,20% (-0,01 p.p.)

No grupo alimentação e bebidas, os subitens que mais ajudaram a baixar a inflação em novembro foram:

Leite longa vida: -4,98%

Tomate: -10,38%

Arroz: -2,86%

Café moído: -1,36%

Meta

A meta de inflação do governo é de 3% em 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, no máximo 4,5%.

Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

O índice

O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Ao todo, são coletados preços de 377 subitens (produtos e serviços). Atualmente o salário mínimo é de R$ 1.518.

A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas - Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre - além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.