Pagamento do 13º salário deve injetar R$ 321,4 bilhões na economia; R$ 8,8 bi no Ceará

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Segundo os cálculos, 3,16 milhões de pessoas devem receber o 13o no estado do Ceará. Em relação à região Nordeste, corresponde a 16,39%. Os empregados do mercado formal, celetistas ou estatutários, representam 55,9%, enquanto pensionistas e aposentados do INSS equivalem a 44,1% Foto: Freepik  

Até dezembro de 2024, o pagamento do 13o salário tem o potencial de injetar na economia brasileira cerca de R$ 321,4 bilhões. Este montante representa aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e será pago aos trabalhadores do mercado formal, inclusive aos empregados domésticos; aos beneficiários da Previdência Social e aposentados e beneficiários de pensão da União e dos estados e municípios.

Cerca de 92,2 milhões de brasileiros serão beneficiados com rendimento adicional, em média, de R$ 3.096,78. As estimativas são do DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Para o cálculo do pagamento do 13o salário em 2024, foram reunidos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ambos do Ministério do Trabalho e Emprego. 

Economia cearense

A economia cearense deverá receber, até o fim de 2024, a título de 13° salário, cerca de R$ 8,82 bilhões, aproximadamente 2,16% do total do Brasil e 16,11% da região Nordeste. Esse montante representa em torno de 3,2% do PIB estadual. A média de valores por pessoa é estimada em R$ 2.314,69.

Segundo os cálculos, 3,16 milhões de pessoas devem receber o 13o no estado do Ceará. Em relação à região Nordeste, corresponde a 16,39%. Os empregados do mercado formal, celetistas ou estatutários, representam 55,9%, enquanto pensionistas e aposentados do INSS equivalem a 44,1%.

O emprego doméstico com carteira assinada responde por 0,9%. Os valores que cada segmento receberá estão distribuídos da seguinte forma: os empregados formalizados ficam com (R$ 5,39 bilhões) e os beneficiários do INSS, com (R$ 2085 bilhões).

Sem autônomos

Para o cálculo do impacto do pagamento do 13o salário, o DIEESE não leva em conta autônomos, assalariados sem carteira ou trabalhadores com outras formas de inserção no mercado de trabalho que, eventualmente, recebem algum tipo de abono de fim de ano, uma vez que não há dados disponíveis sobre esses proventos.

13º antecipado

Além disso, não há distinção dos casos de categorias que recebem parte do 13o antecipadamente, conforme definido, por exemplo, em acordo coletivo de trabalho (ACT) ou convenção coletiva de trabalho (CCT). Da mesma forma, considera-se o montante total do valor recebido pelos beneficiários do INSS, independentemente do montante que já tenha sido pago. Assim, os dados constituem projeção do volume total de 13o salário que entrará na economia ao longo do ano e não necessariamente nos dois últimos meses de 2024. 

Entretanto, o princípio é que a maior parte do valor referente ao 13o, notadamente para os trabalhadores ativos, seja paga no fim do ano. Dos cerca de 92,2 milhões de brasileiros que devem ser beneficiados com o pagamento do 13o salário, 56,9 milhões, ou 61,7% do total, são trabalhadores no mercado formal, entre eles, os empregados domésticos com carteira de trabalho assinada, que somam 1,4 milhão de pessoas, correspondente a 1,6% do conjunto de beneficiários. 

Aposentados

Os aposentados ou pensionistas da Previdência Social (INSS) equivalem a 34,2 milhões de beneficiários, ou 37,1% do total. Além desses, aproximadamente 1,1 milhão de pessoas (ou 1,2% do total) são aposentadas e beneficiárias de pensão da União (Regime Próprio). Há ainda um grupo constituído por aposentados e pensionistas dos estados e municípios (regimes próprios) que vai receber o 13o e que não pode ser quantificado. Do montante a ser pago como 13o, aproximadamente R$ 214 bilhões, ou 66% do total, irão para os empregados formais, incluindo os trabalhadores domésticos. Outros 33,3% dos R$ 321 bilhões, ou seja, cerca de R$ 107 bilhões, serão pagos aos aposentados e pensionistas. 

INSS

Considerando apenas os beneficiários do INSS, são 34,2 milhões de pessoas, que receberão R$ 60,1 bilhões. Aos aposentados e pensionistas da União serão destinados R$ 11,03 bilhões (3,4%); aos aposentados e pensionistas dos estados, R$ 19,1 bilhões (5,9%); e aos aposentados e pensionistas dos regimes próprios dos municípios, R$ 16,8 bilhões (5,2%).

Por região

A parcela mais expressiva do 13o salário (50,1%) deve ser paga nos estados do Sudeste, região com maior participação relativa no PIB do país e que concentra a maioria dos empregos formais e aposentados e pensionistas. No Sul, devem ser pagos 16,7% do montante e no Nordeste, 15,9%.

Já as regiões Centro-Oeste e Norte cabem, respectivamente, 9% e 5%. Importante registrar que os beneficiários do Regime Próprio da União receberão 3,4% do montante e podem estar em qualquer região do país.

O maior valor médio para o 13o deve ser pago no Distrito Federal (R$ 5.665) e o menor, no Maranhão e Piauí, o equivalente a cerca de R$ 2.000,00. Essas médias, entretanto, não incluem o pessoal aposentado pelo Regime Próprio dos estados e dos municípios, pois não foi possível obter esses dados.

Mercado formal

Estimativa setorial para o mercado formal
Para os assalariados formais dos setores público e privado, que correspondem a 55,5 milhões de trabalhadores, excluídos os empregados domésticos, a estimativa é de que R$ 212 bilhões serão pagos a título de 13o salário até o final do ano.

A maior parcela do total a ser distribuído caberá aos ocupados no setor de serviços (incluindo administração pública), que ficarão com 64,6% destinado ao mercado formal; os empregados da indústria receberão 17%; os comerciários terão 13%; aos que trabalham na construção civil será destinado o correspondente a 3,3%; enquanto 2,1% serão recebidos pelos trabalhadores da agropecuária.