Setor mineral amplia exportações em 93%; quartzito inclui Ceará em mapa estratégico

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Em 2025, o Ceará tornou-se o maior exportador nacional de quartzito, reposicionando o Estado no mercado brasileiro de rochas ornamentais. Sozinho, o quartzito respondeu por metade das vendas externas do setor mineral Foto: Divulgação

Como uma pedra recém-lapidada, o setor mineral cearense revelou em 2025 seu brilho máximo na pauta exportadora do Ceará. E tudo indica que ainda há espaço para ganhar novas facetas nos próximos anos. Nesse contexto, os produtos minerais alcançaram um patamar inédito no comércio internacional.

Impacto positivo  

Com exportações de US$ 156,4 milhões, o segmento praticamente dobrou de tamanho em relação a 2024, ao registrar crescimento de 93%, e assumiu papel estratégico no desempenho da balança comercial do Estado. O avanço elevou a participação do setor para 6,8% das exportações totais do Ceará, consolidando-o como o terceiro maior segmento exportador e um dos vetores mais dinâmicos do comércio exterior cearense.

Os dados constam do relatório anual Setorial em Comex - Setor Mineral, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), com base nas estatísticas oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), disponibilizadas no sistema Comex Stat.

Liderança

O grande destaque do ano foi o quartzito. Em 2025, o Ceará tornou-se o maior exportador nacional do produto, posição que reposiciona o estado no mercado brasileiro de rochas ornamentais. Sozinho, o quartzito respondeu por metade de todas as vendas externas do setor mineral, com faturamento de US$ 77,5 milhões e crescimento de 178,1%.

Para Carlos Rubens Alencar, presidente do Sindicato da Indústria de Mármores e Granitos do Estado do Ceará (Simagran), o desempenho reflete o reconhecimento internacional da qualidade do produto cearense. Segundo ele, os quartzitos produzidos no estado figuram atualmente entre os mais desejados do mundo, pela excelência, durabilidade e capacidade de inovação no design. Essas características, afirma, agregam valor e nobreza às aplicações, atributos essenciais do mercado de luxo, que valoriza acabamento impecável e alto padrão, consolidando o material como símbolo de alta sofisticação.

Fortalecimento

Na avaliação da gerente do CIN, Karina Frota, os resultados confirmam um movimento consistente de fortalecimento da base exportadora do setor mineral cearense. Segundo ela, o avanço está associado à combinação entre maior valor agregado, diversificação da pauta e ampliação dos mercados de destino, fatores que elevam a competitividade do Ceará no comércio internacional.

O desempenho também reflete a combinação entre oferta competitiva, qualidade do material e forte demanda internacional, sobretudo nos segmentos de arquitetura, design e construção. O produto cearense ganhou espaço em projetos de maior valor agregado, especialmente na Europa e na América do Norte, reforçando a imagem do estado como fornecedor de materiais nobres e diferenciados.

Diveersificação

Embora o quartzito lidere, o desempenho de 2025 também foi marcado pela diversificação. Outras pedras de cantaria somaram US$ 22,3 milhões em exportações, com crescimento superior a 160%. A magnésia calcinada atingiu US$ 18,7 milhões, enquanto itens como mica aglomerada e ferro-silício mantiveram trajetória positiva, ampliando o leque de produtos minerais embarcados pelo Ceará.

Essa diversificação reduz riscos, amplia mercados e fortalece a resiliência do setor diante de oscilações de demanda ou preços internacionais.

Itália, Estados Unidos e China

Em 2025, os minerais cearenses chegaram a 78 destinos diferentes, evidenciando a capilaridade da pauta exportadora. A Itália manteve-se como principal mercado, com compras de US$ 56 milhões, crescimento superior a 110% e liderança absoluta na absorção do quartzito.

Os Estados Unidos, mesmo diante de um ambiente tarifário mais restritivo, ampliaram as importações em 54%, alcançando US$ 31,3 milhões, com foco em produtos de maior beneficiamento. Já a China protagonizou o movimento mais acelerado: as compras saltaram de US$ 7,7 milhões para US$ 28,8 milhões, avanço de 273,1%, impulsionando a presença cearense no mercado asiático.

Todo esse movimento se refletiu diretamente na balança comercial do setor mineral. Com importações restritas a US$ 5,1 milhões em 2025, o saldo comercial alcançou US$ 151,3 milhões, resultado 94,2% superior ao registrado no ano anterior.