Em outubro de 2025, o conjunto dos 12 produtos que compõem a cesta básica de Fortaleza registrou uma inflação de 1,38%. A alta nos preços de sete dos doze produtos da cesta básica fez com que um trabalhador, para adquirir os produtos respeitadas as quantidades definidas para a composição da cesta, tivesse que desembolsar R$ 686,78, o maior valor registrado na região Nordeste.
No ano, a cesta básica do fortalezense acumula alta de 1,93% e de 7,09%, em 12 meses. Em seis meses houve queda de 8,00%.
O que subiu e caiu
A inflação nos preços da cesta básica foi influenciada pela alta nos preços de sete produtos da cesta, dos quais, destacam-se: o tomate (11,02%), o feijão (3,52%) e a banana (1,75%). Dentre os produtos que registraram reduções em seus preços, destacam-se: o arroz (-3,80%), o café (- 2,71%) e a farinha (-1,65%).
Considerando o valor e tomando como base o salário mínimo vigente no país de R$ 1.518,00 (valor correspondente a uma jornada mensal de trabalho de 220 horas), pode-se dizer que o trabalhador teve que despender 99h e 32 minutos de sua jornada de trabalho mensal para essa finalidade. O gasto com alimentação de uma família padrão (2adultos e 2 crianças) foi de R$ 2.060,34.
Comparando o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), verifica-se que o trabalhador fortalezense remunerado pelo piso nacional comprometeu, em outubro de 2025, 48,91% do seu salário para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta.
Semestral e anual
Observando as variações semestral e anual da Cesta Básica em Fortaleza, verifica-se que foram de -8,00% e 7,09%, respectivamente. Isto significa que a alimentação básica em outubro de 2025 (R$ 686,78) está mais barata do que em abril de 2025 (R$ 746,52) e mais cara do que em outubro de 2024 (R$ 641,34).
No semestre, dos produtos que compõem a Cesta Básica, nove itens sofreram reduções em seus preços, dos quais, destacam-se: o tomate (-35,56%), o arroz (-22,22%) e a farinha (-8,29%). Três itens apresentaram elevações nos preços, são eles: o óleo (1,88%), o café (0,33%) e a manteiga (0,07%).
Na série de 12 meses, dos produtos que compõem a Cesta Básica, entre os itens que apresentaram reduções no preço, destacam-se: o arroz (-29,41%), o feijão (-13,28%) e a farinha (-11,85%). Já os itens que apresentaram as maiores elevações foram o café (48,60%), o tomate (39,41%), e o óleo (17,07%).
No País
O valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 16 das 27 capitais onde o DIEESE, em parceria com a Conab, realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. Entre setembro e outubro de 2025, as elevações mais importantes ocorreram em São Luís (3,11%), Palmas (2,59%), Florianópolis (1,66%), Rio Branco(1,62%), Porto Alegre (1,49%), Goiânia (1,41%) e Fortaleza (1,38%).
São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 847,14), seguida por Florianópolis (R$ 824,57), Porto Alegre (R$ 823,57) e Rio de Janeiro (R$ 801,37). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 550,18), Maceió (R$ 592,25), Salvador (R$ 606,39) e Recife (R$ 608,03).
Custo maior em 11 cidades
Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, nas 17 capitais onde é possível comparar os valores da cesta, a pesquisa registrou alta de preço, com variações entre 0,93%, em Brasília, e 10,92%, em Recife. No acumulado no ano, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, nas mesmas 17 capitais, a cesta apresentou variação positiva em 11 cidades, com destaque para Porto Alegre (5,08%), Salvador (3,85%) e Recife (3,34%). Em outras seis capitais, houve redução acumulada, as mais expressivas registradas em Brasília (-3,44%), Goiânia (-1,63%) e Natal (-0,83%).
Com base na cesta mais cara, que, em outubro, foi a de São Paulo, e considerando a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e
previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em outubro de 2025, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.116,83 ou 4,69 vezes o mínimo de R$ 1.518,00.
Em setembro, o valor necessário era de R$ 7.075,83 e correspondeu a 4,66 vezes o piso mínimo. Em outubro de 2024, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 6.769,87 ou 4,79 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.412,00.
Parcela do salário mínimo
Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em outubro de 2025, 49,29% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos e, em setembro, 49,09% da renda líquida. Em outubro de 2024, considerando as 17 capitais com série histórica completa, o percentual médio ficou em 51,72%.