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As Casas Bahia possuem dívidas no valor de R$ 17,32 bilhões em créditos sujeitos ao processo.O Banco Central também aponta que a inadimplência entre as empresas atingiu o maior patamar para meses de junho em nove anos Foto: Divulgação

 

Volume recorde de empresas inadimplentes é alerta, diz CNC em meio à recuperação judicial das Casas Bahia

Em relação ao recorde de 9,1 milhões de empresas inadimplentes no País, segundo números do Serasa Experian divulgados na segunda-feira (17/8, o dado é mais um sinal de alerta sobre as dificuldades que vêm atingindo empresas e famílias. O Banco Central também aponta que a inadimplência entre as empresas atingiu o maior patamar para meses de junho em nove anos.

Microempreendedores lideram

A maior parte dos CNPJs negativados pertence a pequenos e microempreendedores, justamente os que têm menos margem para suportar um ambiente econômico adverso. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) se solidariza com cada empresário que atravessa esse momento tão difícil das suas vidas e de suas empresas.

Ao mesmo tempo, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (Peic), da CNC, vem registrando, neste ano, níveis recordes de endividamento e, especialmente, de inadimplência dos consumidores. Em julho, 82% das famílias estavam endividadas, o que significa menos espaço no orçamento para consumir além do básico.

Alerta

Para o empresário, é um alerta direto: há menos demanda, crédito caro e margens mais apertadas. Quando consumidores e empresas enfrentam dificuldades ao mesmo tempo, fica evidente que o ambiente para consumir, investir e empreender já vem se estreitando há bastante tempo.

Medidas como a renegociação de dívidas dos consumidores, embora aliviem momentaneamente, precisam estar coordenadas com ações que permitam ao Banco Central promover a queda dos juros, para que sejam dadas as condições de equilíbrio para quem consome, produz, investe e gera empregos.

Protocolo

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial no domingo (16/8). A medida foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia e protocolada na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.

Segundo fato relevante divulgado pelo grupo, o pedido ocorre em meio à deterioração das condições econômico-financeiras da empresa. Entre os fatores citados estão juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo e o capital de giro.

Além do Grupo Casas Bahia, o processo envolve empresas controladas, como Casas Bahia Tecnologia, Bartira, Cnova Comércio Eletrônico, ASAP Log, CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística e Globex Administração e Serviços.

Operações mantidas

A companhia informou que pretende manter as operações em todos os canais durante o processo, priorizando o atendimento aos clientes e consumidores, sem interrupções relevantes.

Reestruturação das dívidas

A recuperação judicial faz parte da estratégia de reestruturação financeira do grupo, que pretende reperfilar e alongar dívidas e buscar uma solução para sua estrutura de capital.