Novo tarifaço de 25% dos EUA será aplicado sobre produtos brasileiros
O governo Trump cumpriu e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou oficialmente a aplicação de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, encerrando uma investigação aberta contra o Brasil.
"Injusta"
O governo brasileiro monitora a situação para decidir se responde apenas por via diplomática ou se coloca em prática leis de reciprocidade econômica. As autoridades do Brasil classificaram como "injusta" a possível imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais durante reunião de alto nível , na terça-feira (14/7).
Lista de exceções
A medida deve conter uma lista de exceções para não inflacionar a economia americana. A oficialização das tarifas pelo governo do presidente Donald Trump ocorre após investigações sobre supostas práticas comerciais desleais e atinge cerca de 21% das exportações nacionais.
O pacote de retaliações norte-americano também inclui uma taxa adicional de 12,5% sobre mercadorias associadas ao trabalho forçado, podendo as tarifas ser cumulativas.
Busca por negociação
O governo brasileiro vem buscando negociar com os EUA desde a primeira fase do tarifaço. Desta vez, a reunião de alto nível, com o representante estadunidense de Comércio, Jamieson Greer, ocorreu na véspera do prazo final para a decisão da administração do presidente Donald Trump sobre a adoção das sobretaxas.
Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que essa foi a quinta reunião entre autoridades dos dois países desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho voltado ao diálogo comercial.
Crítica às tarifas
No comunicado, o Mdic destacou que o governo brasileiro reiterou que as recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não têm fundamento técnico e não justificam a adoção de novas barreiras comerciais.
As críticas envolvem tanto a proposta de sobretaxa de 25% específica para produtos brasileiros quanto a tarifa adicional de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado, aplicável também a outras 59 economias.
"O governo brasileiro reiterou que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos formular um acordo bilateral mutuamente adequado", afirmou a pasta.
Negociação mantida
Além do Mdic, participaram da reunião representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República.
Segundo o governo, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o diálogo com Washington e buscar uma solução negociada para evitar a adoção das tarifas.
Nos bastidores, interlocutores do governo avaliam que, embora as negociações tenham registrado avanços nos primeiros meses, a posição americana se tornou mais rígida nas últimas semanas.
Investigação americana
As possíveis tarifas decorrem da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
O governo americano acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos EUA em áreas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos como o Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o combate ao desmatamento ilegal.
O governo brasileiro sustenta que nenhuma dessas alegações justifica a imposição das medidas comerciais.
A lista definitiva dos produtos que poderão ser atingidos pelas sobretaxas ainda não saiu. Entre os bens citados nas recomendações preliminares estão aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.
Impacto esperado
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos poderão ser afetados caso as tarifas sejam confirmadas.
Juntos, esses produtos representam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras. Entre os itens potencialmente atingidos estão ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico.
Enquanto aguarda a decisão americana, o governo brasileiro mantém as negociações diplomáticas e afirma que continuará defendendo uma solução baseada no diálogo, sem abandonar a possibilidade de adotar medidas de resposta caso as sobretaxas sejam efetivamente implementadas.
