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65% dos brasileiros pretendem realizar compras para a data, um crescimento nominal de 4,2 milhões de pessoas em relação ao ano passado Foto: Freepik

Recorde: vendas de Páscoa devem faturar R$ 3,57 bi

As vendas no varejo para a Páscoa devem totalizar R$ 3,57 bilhões em 2026. Segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caso confirmado, o volume de vendas apresentará crescimento de 2,5% em comparação a igual período do ano passado, já descontada a inflação. O valor total deve ser o maior já registrado para data, considerando a série histórica iniciada em 2005. 

Cesta de preços

A cesta completa de bens e de serviços típicos da data, composta por oito itens, deve registrar reajuste médio de 6,2%, ficando acima da inflação pelo terceiro ano consecutivo.

O principal impulsionador desta alta é o chocolate, presente símbolo da data, com aumento esperado de 14,9% mesmo nos rótulos nacionais. Esse movimento é reflexo direto da valorização do cacau no mercado internacional, que impediu desaceleração maior dos preços ao consumidor final. Outros itens com altas expressivas incluem o bacalhau (+7,7%) e a alimentação fora do domicílio (+6,9%).

Mais consumidores comprarão

A Páscoa projeta ainda uma movimentação expressiva para o varejo brasileiro, com uma estimativa de 106,8 milhões de consumidores indo às compras em todo o País. Segundo o novo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas , 65% dos brasileiros pretendem realizar compras para a data, um crescimento nominal de 4,2 milhões de pessoas em relação ao ano passado.

Os ovos de chocolate industrializados continuam no topo da preferência (56%), seguidos por bombons (50%) e barras (39%). A pesquisa aponta que o segmento caseiro e artesanal se consolidou como competidor direto, com 40% de intenção de compra para ovos e 32% para bombons e barras. Qualidade superior e desejo de personalização são os principais atrativos (27% cada).

Ticket médio

O gasto médio previsto é de R$ 253. O consumidor deve adquirir, em média, 5 produtos, evidenciando uma busca por diversidade na cesta de compras.

Filhos (54%), mães (36%) e cônjuges (35%) lideram a lista dos principais presenteados, mas o "autopresente" registrou um crescimento notável, atingindo 33% dos consumidores.

Itens locais e compras

Apesar da expectativa de crescimento do volume de vendas em comparação aos anos anteriores, as importações de chocolate e de bacalhau, duas categorias alimentícias tradicionais da data, foram menores neste ano. A alta do cacau, por exemplo, elevou os preços em até 37% no exterior. Assim, há tendência de que produtos locais ganhem espaço na escolha do consumidor.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a diferença de preços entre 2025 e 2026 reforça a necessidade de avançar na consolidação de acordos de comércio exterior, de modo a potencializar seus efeitos positivos no mercado interno brasileiro. 

Histórico de recuperação

A projeção para 2026 mantém a tendência de recuperação iniciada em 2021, após o setor registrar em 2020 o menor patamar de vendas em quase uma década, em virtude da crise sanitária provocada pela covid-19. O dinamismo do mercado de trabalho e a melhora das condições de consumo têm sustentado o aquecimento da demanda nos últimos anos

Varejo Físico x Digital

As lojas físicas continuam sendo o principal destino de 95% dos compradores. Os supermercados lideram como canal de conveniência (62%), seguidos por lojas especializadas em chocolates (44%). Embora 62% utilizem a internet para pesquisar preços, apenas 25% pretendem finalizar a compra digitalmente.

A qualidade (45%) superou o preço (44%) como principal critério de decisão de compra, reforçando a tese da busca pelo valor agregado e pela experiência. 38% preferem promoções e os descontos e 27% a diversidade de produtos.

Preço decide compra

O levantamento mostra que os consumidores estão atentos aos preços, uma vez que 82% pretendem pesquisar valor dos chocolates antes de comprar. 52% consideram que os preços dos produtos neste ano estão mais caros que no ano passado e 31% que estão na mesma faixa de preço. A pesquisa intensifica-se 15 dias antes da data (40%), mas a conversão final é tardia: 45% comprarão na própria semana da Páscoa.

Há uma predominância do pagamento à vista (77%), com o PIX (56%) consolidado como a principal ferramenta. Entre os que optarão pelo parcelamento (56%), a média é de 4 prestações.

Tradição à mesa

A Páscoa também tem a tradição dos pratos típicos, além do chocolate.  De acordo com a pesquisa, 78% dos brasileiros pretendem consumir pratos tradicionais da época. O bacalhau, o salmão e o atum são a preferência absoluta de 49% dos consumidores, sobretudo entre os Baby Boomers e as Classes A/B.

Também ganham destaque na mesa do brasileiro a Colomba Pascal (18%) e o Pão de Páscoa (15%). A celebração da data é quase unânime, com 97% dos consumidores pretendendo comemorar o domingo de Páscoa. A maioria celebrará em sua própria casa (58%). Outros locais de destaque são a casa dos pais (14%) e a casa de parentes (14%).

“A Páscoa reafirma sua posição como uma das datas mais vitais do calendário comercial. O impacto é multissetorial: desde o varejo de alimentos, até o setor de pescados, impulsionado por 49% da população que mantém a tradição de pratos típicos como bacalhau e salmão. O grande desafio para o lojista este ano é a 'janela de última hora', já que 45% dos consumidores pretendem comprar apenas na semana do evento. Estratégias de estoque e promoções agressivas nesse período final serão determinantes para capturar clientes”, destaca Costa.