79% buscaram crédito e 63% veem necessidade para retomada

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O brasileiro ganhou mais poder para comparar o preço do dinheiro nas instituições financeiras, com bancos digitais e fintechs abrindo mais espaço, fenômeno que foi apressado com a pandemia Foto: Freepik

O crédito tem sido a saída para muitos brasileiros ultrapassarem os momentos mais difíceis da pandemia. Oito em cada dez (79%) no País utilizaram alguma fonte de financiamento nesse período. E dentro deste universo, 32% recorreram a esse instrumento seis vezes ou mais.

No Nordeste, o patamar de uso do crédito ficou acima da média do País, atingindo 82%.

Para retomar

A constatação é de levantamento da Serasa eCred e da plataforma Opinion Box, que mapeou o cenário do crédito e projeta que, para 63%, a retomada de projetos e planos vai depender dessa ferramenta. A pesquisa realizou 2.068 entrevistas entre 22 de junho e 2 de julho de 2021. Os dados foram apresentados à imprensa, no Serasa - Café Virtual.

O cartão de crédito foi o instrumento mais utilizado na pandemia, com 62% recorrendo a esta modalidade. Em seguida, veio o empréstimo com amigos e familiares (14%). Ainda que mais caro, o cheque especial foi a saída adotada por 12%, e 10% buscaram o empréstimo pessoal sem garantia.

Recusa

No total, 37% dos consumidores tiveram o crédito recusado e os principais motivos apontados foram renda baixa ou não possuir renda (40%), inadimplência (35%). Além disso, 28% não obtiveram retorno. Para 37% a alternativa buscada foram os bancos digitais e 7% as fintechs.

Uso do cartão

Daqueles que têm cartão de crédito 88% utilizaram alguma fonte na pandemia. Ainda assim, 51% tiveram dificuldades para conseguir os recursos e o financiamento foi negado a 35%.

A situação foi mais difícil para os que não dispunham de cartão, uma vez que 37% deles utilizaram alguma fonte de crédito no período, mas neste grupo 67% tiveram dificuldade para ter a liberação e 46% sequer conseguiram.

Perfil de renda interfere

O nível de renda também interferiu na facilidade e concessão do crédito. Nas classes AB, 95% possuem cartão de crédito e 83% utilizaram durante a pandemia, mas para 18% houve recusa. Dentre as classes CD, menos pessoas possuem cartão (79%), mas 78% buscaram fazer uso do instrumento. Ainda assim, 41% tiveram o financiamento negado.

Concentração

De acordo com Amanda Rapouzo, gerente Sênior Serasa eCred, no Brasil ainda há uma concentração do mercado de crédito com os grandes bancos sendo detentores de uma participação de 79%. A entrada dos bancos digitais está contribuindo para reduzir esse status, mas a fatia ainda é pequena e possui enorme potencial.

Atualmente, 98% do crédito habitacional é concentrado nos grandes bancos, assim como 51% das operações para financiar veículos; além de 56% do empréstimo pessoal e 72% dos cartões de crédito.

Comparar para optar

Mas, segundo a executiva da Serasa, o brasileiro ganhou mais poder de comparar o preço do dinheiro nas instituições financeiras, neste novo cenário, fenômeno que foi apressado com a pandemia.

Ela assinala que “o Serasa eCred é um marketplace de crédito, que permite novas escolhas. A ideia é democratizar o acesso ao crédito com comparação, melhor tomada de decisão e ter condição de arcar de forma sustentável com essa escolha”.

Digitalização e potencial

Outra constatação é que os meios digitais ganharam mais força e a tendência é que os bancos e fintechs ampliem seu mercado cada vez mais, no pós-pandemia. No Nordeste, esses bancos atuam em 58% do mercado, enquanto as fintechs cobrem 22%, aponta Felipe Schepers, COO do Opinion Box.

Taxas de juros sobem

Outra percepção dos entrevistados no levantamento, destaca Felipe, é que 59% dos consumidores perceberam a elevação dos juros durante a pandemia.

Perspectiva

Dentro da perspectiva de que o crédito terá um papel de destaque no momento de retomada, 51% dos entrevistados entendem que financiamentos são a alternativa para a aquisição de bens como a casa própria ou veículo, enquanto o cartão de crédito é a ferramenta para ter acesso a itens essenciais. E ainda, independendo da forma de empréstimo, é uma maneira de pagar dívidas.