Real desvalorizou 10,2% até março deste ano; moeda 'derrete'

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Significa que o dinheiro vale cada vez menos frente ao dólar e o resultado prático está no bolso das famílias, que cada vez mais têm um poder de compra menor Foto: Agência Brasil

Somente neste ano, até 8 de março, o real já desvalorizou 10,2%, segundo a consultoria Austin Rating. Trata-se da quarta moeda com maior variação negativa no ranking mundial.

Significa que o dinheiro vale cada vez menos frente ao dólar e o resultado prático está no bolso das famílias, que cada vez mais têm um menor poder de compra, situação agravada com a alta da inflação.

Incertezas

A desvalorização do real é reflexo do quadro doméstico de grande incerteza e no cenário externo, o dólar vem ganhando força à medida que investidores passaram a comprar títulos do Tesouro americano (treasuries) com o aumento dos juros pagos pelos papéis.

O Brasil está figurando em um ranking pra lá de preocupante. O líder em desvalorização é o Sudão, com perda de 85,3% da nova libra sudanesa. Depois, aparecem a Líbia (-70,1%) e a Venezuela (-42,4%). Aí chega a vez do real.

Inflação em alta

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), neste ano, subiu de 4,85% para 4,92%. Esse foi o segundo aumento consecutivo na estimativa que consta do boletim Focus, pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), com a projeção para os principais indicadores econômicos. Para 2022, a estimativa de inflação subiu de 3,53% para 3,60%. Tanto para 2023 como para 2024 a previsão é 3,25%, mantida há várias semanas.

A projeção para 2021 está acima do centro da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, mas permanece dentro do limite de tolerância. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é de 2,25% e o superior de 5,25%.

PIB e câmbio

As instituições financeiras consultadas pelo BC ajustaram a projeção para o crescimento da economia brasileira este ano de 3,08% para 3,04%. Para o próximo ano, a expectativa para Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - é de crescimento de 2,34% (contra 2,33%, na semana passada). Para 2023 e 2024, o mercado financeiro projeta expansão do PIB de 2,5%.

A expectativa para a cotação do dólar subiu de R$ 5,37 para R$ 5,40 ao final deste ano. Para o fim de 2022, a previsão é que a moeda americana fique em R$ 5,26. Na semana passada, a previsão para o próximo ano era R$ 5,25.