Tarifaço dos combustíveis já respinga em vários setores da economia

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As compras nos supermercados e mercadinhos de bairro já começam a aparecer com o impacto da mega elevação, que se traduz na remarcação nas etiquetas de preços

O tarifaço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha traz reações e impactos já se pronunciando na inflação brasileira, embora só devam aparecer nos indicadores estatísticos nos próximos meses. 

Os combustíveis têm sido o principal motor da inflação no Brasil. Projeto para atenuar a alta dos preços foi aprovado pelo Senado e sancionado, mas não se sabe se entrará em prática.

O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, deixou claro que a medida só deveria entrar em vigência em caso de ampliação da crise trazida pela guerra por um período mais duradouro.

Enquanto isso, mal o reajuste chegou ao consumidor nas bombas dos distribuidores as repercussões já são sentidas em cascata. Supermercados já começaram a alterar preços praticados para cima em vários produtos.

Passagens de voos vão subir

Além disso, companhias aéreas já sinalizaram a elevação dos preços dos bilhetes. A Latam foi a primeira delas. A Gol está em período de silêncio, mas indicou a associação do setor para se posicionar. A Azul não confirmou, mas não negou. 

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) já anunciou que o setor sente os reflexos da guerra na Ucrânia a partir da alta nos valores do barril de petróleo no mercado internacional.

"Isso pressiona ainda mais o já elevado preço do QAV, que em 2021 alcançou seu maior patamar, acumulando alta de 76,2%, superando as variações do diesel (+56%), gasolina (+42,4%) e gás de cozinha (+36%), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)", diz a Abear.

Acrescenta que, "historicamente o combustível responde por mais de um terço dos custos do setor, que por sua vez têm uma parcela superior a 50% indexada pelo dólar. Diante desse cenário, a Abear informa que o consequente encarecimento do QAV nos curto e médio prazos poderá frear a retomada da operação aérea, o atendimento logístico a serviços essenciais e inviabilizar rotas com custos mais altos".

A Associação afirma que o setor acumula prejuízo de R$ 37,4 bilhões de 2016 até o terceiro trimestre de 2021, impactando também o transporte de cargas e toda a cadeia produtiva do turismo.

Caminhoneiros e mobilidade

Caminhoneiros de transportadoras afirmam que o reajuste vai inviabilizar o frete e já cogitam paralisações. Motoristas que atuam com aplicativos de mobilidade urbana também consideram que a atividade ficará impraticável. As duas maiores empresas do setor Uber e 99 afirmaram que vão ampliar a margem para os motoristas, significa então que haverá repasse para os passageiros.