90% estão preocupados com finanças pessoais; 52% temem não pagar contas

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Aperto financeiro cresce: 39% acreditam não ser possível guardar dinheiro e 24% ter que desistir de consumir coisas que gosta

Os números da crise econômica no País aparecem no bolso da maioria dos brasileiros. Nada menos que 83% precisaram fazer cortes no orçamento em 2021 e 40% precisaram realizar bicos para ajudar na renda. Em 2022, 90% possuem algum temor quanto a vida financeira, principalmente não conseguir pagar suas contas. 

Nove em cada dez brasileiros estão preocupados com as finanças neste ano. O temor é o seguinte: não conseguir pagar suas contas (52%, em 2019 era 39%), não ser possível guardar dinheiro (39%), ter que desistir de consumir coisas que gosta (24%) e não conseguir um emprego (24%). Além disso, 92% deixaram de realizar algum projeto que tinham para 2021.

Piora da economia

De acordo com levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offer Wise Pesquisas, 51% dos brasileiros acreditam que as condições da economia em 2021 pioraram em relação a 2020. A pesquisa aponta ainda que quatro em cada dez brasileiros avaliam que a própria condição financeira piorou em 2021 (43%), enquanto 31% acreditam que não melhorou nem piorou, e para 23% houve melhora. Em 2019 – período pré-pandemia –, 26% avaliaram que havia piorado e 30%, melhorado.

Menos salário, mais inflação

Entre aqueles que acreditam que houve piora da situação financeira em 2021, 60% consideram que seu salário/rendimento não aumentou na mesma proporção dos preços dos produtos/serviços, 44% tiveram redução da renda familiar e 35% ficaram desempregados ou tiveram alguém da família que perdeu o emprego.

Considerando as experiências financeiras vivenciadas em 2021, o cenário mostra um aperto financeiro das famílias brasileiras: 40% dos entrevistados tiveram que renunciar a produtos ou serviços que compravam, enquanto 32% tiveram que fazer uso de alguma reserva de dinheiro que possuem. Já 31% ficaram muitos meses com as contas no vermelho (em 2019, antes da pandemia, eram 24%) e 25% ficaram desempregados.

Impacto da pandemia

A respeito das consequências da Covid-19, sete em cada dez entrevistados afirmaram que a vida financeira familiar sofreu impacto da pandemia (77%), enquanto 22% garantem que não. O cenário de aperto financeiro se confirma uma vez que 83% tiveram que fazer cortes ou ajustes no orçamento em 2021, sendo que 59% tiveram que redirecionar o dinheiro para pagamento de contas do dia a dia, 35% para pagar contas em atraso e 25% para economizar e guardar dinheiro.

Entre aqueles que realizaram cortes no orçamento, 55% reduziram as refeições fora de casa/delivery, 48% os itens supérfluos de supermercado e 44% cortaram a compra de vestuários, calçados e acessórios. 

Renda afetada

O desemprego elevado é apenas um dos grandes desafios a serem enfrentados pelo país e isso está ligado diretamente ao retorno do crescimento econômico, que não ocorreu. A renda da população foi fortemente afetada nos últimos dois anos e isso, somado aos preços elevados, traz insegurança para as famílias.

Preços altos, menos consumo

A pesquisa aponta ainda que os planos e projetos pessoais também foram impactados pelo cenário de crise. De acordo com o levantamento, 92% dos consumidores deixaram de realizar algum projeto que tinham para 2021, principalmente juntar uma reserva de dinheiro (29%), comprar ou reformar a casa (25%), fazer uma grande viagem (25%), pagar dívidas em atraso (20%) e comprar um carro/moto (18%).

Entre os motivos que impediram a realização dos planos, 57% justificaram que foi porque os preços das coisas estavam muito altos, 48% devido ao pouco dinheiro que dispunham e que mal permitia pagar as contas e 29% ficaram inseguros em gastar dinheiro.

Recorrendo a “bicos”

De acordo com o levantamento, 55% dos consumidores estão insatisfeitos em algum grau com o padrão de vida atual. Por outro lado, 40% estão satisfeitos, sendo que 35% se dizem satisfeitos e 5% muito satisfeitos. Além disso, 46% alegam ter havido piora do padrão de vida em comparação ao período pré-pandemia. Por outro lado, 25% afirmam ter havido algum grau de melhora, e 26% dizem que está igual.

Com relação aos meios de sustento atuais, 34% exercem trabalho autônomo, 22% trabalham com carteira assinada e 22% fazem trabalhos temporários ou “bicos”. Para manter ou aumentar seu padrão de vida, 40% precisaram realizar trabalhos extras; 29% utilizaram o cartão de crédito; e para 17%, mais pessoas da família tiveram que trabalhar.

Preocupação

Considerando as expectativas para o cenário econômico do país em 2022, 63% dos entrevistados esperam um cenário melhor, enquanto 17% não esperam diferença e 9% aguardam um cenário pior.

Entre aqueles que estão otimistas com a economia este ano, 55% são otimistas e acreditam que as coisas podem melhorar mesmo com todos os problemas atuais no Brasil, 46% afirmam que a economia deve se recuperar na medida em que a maioria das pessoas se vacinarem, e 41% esperam que haja recuperação econômica.

Já entre os que estão pessimistas, 47% acreditam que o Brasil continuará sofrendo com os efeitos da crise econômica, 45% não esperam uma recuperação econômica e 45% acreditam que o governo não irá realizar as reformas que o país necessita.