2020: Grendene tem melhor resultado financeiro da história

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A companhia apostou em transformação digital para se conectar com consumidores e alavancar resultados e terminou o ano com um lucro líquido de R$ 314,6 milhões  

A Grendene encerrou 2020 em forte ritmo de recuperação, amenizando os impactos provocados pela pandemia em seus resultados financeiros no primeiro semestre do ano passado.

De outubro a dezembro, a companhia registrou receita bruta superior a R$ 1 bilhão, o melhor trimestre da história.

O lucro bruto cresceu 23% no quarto trimestre, chegando a R$ 415,4 milhões e correspondendo a uma margem bruta de 49,6% (1,1 p.p. menor do que a do 4T19).

A receita operacional líquida foi de R$ 837,1 milhões no último trimestre do ano, 25,7% superior ao mesmo período de 2019, em virtude da elevação da quantidade de pares embarcados e do reajuste de preços concedido.

Lucro e preços

O lucro líquido recorrente foi de R$ 314,6 milhões, crescimento de 47,7%, resultado do reajuste de preços concedidos a partir de outubro, do controle das despesas operacionais e do ganho financeiro de aplicações em renda variável.

O lucro operacional recorrente (EBIT recorrente) alcançou R$ 250,5 milhões, 47,2% a mais que o mesmo período do ano anterior, representando uma margem EBIT recorrente de 27,2% (alta de 3,9 p.p. em relação ao 4T19).

Pares vendidos

O volume de pares comercializados alcançou expressivos 62,1 milhões, devido ao sólido desempenho das marcas nos diversos canais de vendas – resultado da estratégia de diversificação e expansão.

O mercado doméstico foi o principal responsável pelo incremento nos resultados. No mercado externo, as vendas caíram 5,4% em volume e 6,1% em receita bruta ante o quarto trimestre de 2019, atingindo 10,3 milhões de pares e R$ 179,5 milhões respectivamente, devido a uma nova onda de agravamento da pandemia na Europa e nos Estados Unidos. Assim como no trimestre anterior, os embarques à América Latina lideraram as exportações da companhia no 4T20. 

“O desempenho positivo é reflexo de fatores como receptividade das coleções primavera/verão pelos nossos clientes; flexibilização das medidas restritivas ao comércio nos mais variados formatos de pontos e canais de vendas do país; e prorrogação do pagamento do auxílio emergencial concedido pelo Governo Federal”, afirma Alceu Albuquerque, diretor de Relações com Investidores da Grendene.

Perfil de compra muda

A companhia também foi beneficiada pela escassez de matérias-primas no mercado, ocasionando a concentração de pedidos em grandes fabricantes de calçados, em função do receio dos lojistas de ficar sem produtos nas principais datas do varejo do quarto trimestre (Dia das Crianças, Black Friday e Natal). Houve ainda uma mudança no perfil de compra dos consumidores, que passaram a optar por produtos como chinelos de dedos, gáspeas e papetes, em detrimento de outras categorias de sapatos.

“Observamos um comportamento positivo nos diversos canais de distribuição, com recuperação em varejo e magazine a partir de setembro, de modo a contribuir, ainda que em menor escala, para a elevação do preço médio, em função destes canais demandarem produtos mais sofisticados”, diz o diretor.

No quarto trimestre, a Grendene deu continuidade ao processo de internacionalização do e-commerce de suas marcas, e já é responsável pela gestão das lojas on-line de Zaxy, Rider, Grendene Kids, Ipanema e Melissa USA, bem como a plataforma B2B de venda web para lojistas de todas as marcas da empresa.

O investimento em transformação digital, anunciado em agosto, ganhou força ao longo dos últimos meses de 2020, à medida que uma parcela cada vez maior dos consumidores passou a comprar on-line – um hábito que deve ser mantido após a pandemia, na avaliação da Grendene. O Bergamotta Works (laboratório de inovação criado pela empresa para desenvolver e testar soluções que aproximem pessoas e negócios de forma sustentável) já tem projetos piloto em andamento, como a venda de calçados Ipanema em vending machines.

Pandemia

No ano, a receita bruta e o volume de pares recuaram 7,1% e 3,6% respectivamente, em relação a 2019; enquanto o lucro bruto totalizou R$ 874,5 milhões, equivalente a uma margem bruta de 46,1% (0,5 p.p. superior à de 2019). Já a receita líquida encolheu 8,4%.

“O resultado de julho a dezembro amenizou a performance negativa do segundo trimestre, quando a operação da Grendene foi impactada pelos decretos no Ceará, que proibiram a retomada das atividades não essenciais para combater a disseminação da Covid-19”, explica Albuquerque.

Share

A empresa fechou 2020 com 20,2% market share, um crescimento de 3,6 p.p, e registrou uma redução no volume de pares (-3,6%) inferior à queda da produção do setor (-20,8%), segundo informações da Abicalçados.

Nos últimos 12 meses, o lucro líquido contábil recuou 50,5%, para R$ 405,2 milhões, representando uma margem liquida de 21,4%. Ao desconsiderar os itens não recorrentes, o lucro líquido recorrente totalizou R$ 468,6 milhões, queda de 2,1% em relação a 2019. A companhia encerrou o ano com caixa de R$ 2 bilhões, mantendo sólida situação financeira.

“Não obstante às dificuldades enfrentadas ao longo de 2020, a Grendene, mais uma vez, demonstrou ser resiliente em períodos turbulentos e conseguiu emergir ainda mais forte, proporcionando, inclusive, ganhos de market share. Encerramos o ano com perspectivas positivas para 2021, quando comemoramos 50 anos de história, e confiantes em nossos resultados”, conclui Albuquerque.