Opções econômicas na mira do consumidor com energia cara

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Para o Nordeste, a estimativa é que o aumento na conta de energia seja de 17,6%, em um impacto da distribuição que ficou mais cara ante o isolamento social Foto: Freepik

As tarifas residenciais de energia deverão ter um aumento médio de 14,5% em 2021. A projeção foi feita TR Soluções, empresa de tecnologia aplicada ao setor elétrico, por meio do Serviço para Estimativa de Tarifas de Energia (SETE), que considera dados de todas as 53 distribuidoras do País. Para o Nordeste, a estimativa é que o aumento seja de 17,6%.

O isolamento social gerou uma diminuição drástica do consumo de energia pelos setores de comércio, serviço e indústria e a conta vem do forte impacto sofrido pelas companhias que fornecem energia elétrica às residências.

Eficiência Energética

O diretor de Gestão Energética do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico (Sindienergia-CE), Paulo Siqueira, explica que, na prática, residências e empresas deverão sentir na pele tal aumento. Ele reforça que nunca se buscou tanto alternativas mais baratas em relação ao consumo de energia, seja em casa ou no ambiente corporativo. E a explicação para essa questão está justamente no alto valor pago por esse bem às concessionárias de energia elétrica. Seja qual for a empresa, geralmente, a energia está no “top 3” dos maiores gastos e os empresários passaram a buscar opções para amenizar esse custo. E, no ambiente residencial, não é diferente.

“Na Soma, empresa da qual sou diretor, oferecemos consultoria em gestão energética e lidamos diretamente com empresas interessadas em reduzir gastos com energia em suas instalações. Costumamos apontar três direcionamentos possíveis: a opção pela compra de energia no Mercado Livre; a autoprodução, optando pela energia solar e o trabalho de eficiência energética na empresa. Após uma análise da estrutura geral do negócio, decidimos junto com o cliente a melhor opção”.

Ele explica que a eficiência energética, sem dúvida, tem um diferencial especial por ser capaz de reduzir em até 12% o consumo de energia nas empresas apenas com mudanças dentro da estrutura já existente.

“Existem cerca de 50 iniciativas capazes de reduzir o consumo da energia em um ambiente corporativo e, a troca de lâmpadas é uma das menos relevantes, já que representa uma economia menor com alto investimento. Por meio de um mapeamento do ambiente, é possível chegar às áreas da empresa e atributos que contam com as maiores cargas e, assim, atuar mais fortemente nesses pontos. Cerca de 80% dos mecanismos que podem ser adotados com a eficiência energética sequer precisam de grandes investimentos, apenas de adaptações, para garantir reduções de até uma conta de energia e meia no ano, em relação ao valor gasto antes da gestão energética”, reforça Paulo Siqueira.

Energia solar

Já o Diretor de Geração Distribuída do Sindienergia-CE, Hanter Pessoa, explica que a migração para alternativas como a energia solar tem sido a opção encontrada por muitas pessoas, em especial durante a pandemia. Ele ressalta que esse movimento deve continuar.

“Ao longo do último ano, marcado pela pandemia do novo coronavírus no Brasil e em todo o mundo, fomos obrigados a adotar o isolamento social como medida preventiva contra a disseminação do vírus. Ao mesmo tempo em que nos isolamos do convívio social, também pudemos estar mais tempo dentro de casa e parar para observar detalhes que passavam despercebidos na rotina mais corrida e alheia ao ambiente residencial. Não à toa, muitas pessoas perceberam a necessidade de fazer reparos em casa; outros, olharam com mais atenção para o valor gasto com a energia elétrica, bem como para o peso desse serviço no orçamento domiciliar, acendendo o alerta para opções de fontes de energia para além das concessionárias". 

No Ceará

A quantidade de unidades geradoras de energia solar no Estado superou a marca de 10 mil no ano passado. Hoje, já passam de 11mil conexões operacionais no estado e mais de 14 mil unidades consumidores cearenses que já contam com redução na conta de luz. Enquanto o crescimento dos consumidores beneficiados na GD no Brasil foi de 100%, e no Nordeste foi de 125%, no Ceará foi de 142%, comparando 2020 com 2019. Também é importante destacar que enquanto no Brasil 93% dos municípios dispõem de geração distribuída, no Nordeste tal percentual é de 88%, e no Ceará de 98%.