71,4% dos empresários se manifestam contra lockdown no CE

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Por outro lado, 54% dos trabalhadores formais são favoráveis ao isolamento rígido. A expectativa agora é para o início da reabertura gradual do comércio a partir do dia 5, segunda-feira, o que ocorreria com 50% do número de trabalhadores e em horários escalonados

71% dos empresários cearenses são contrários a adoção de lockdown. De outro lado, 54% dos trabalhadores formais são favoráveis à medida, enquanto 67,4% dos informais discordam do isolamento rígido.

A constatação é de pesquisa realizada pela Fecomércio-CE, através do Instituto de Desenvolvimento do Comércio (IPDC), apresentada nesta quinta-feira, 1º de abril, pelo presidente da Federação, Maurício Filizola.

O levantamento foi realizado entre os dias 24 e 27 de março e ouviu 2.031 pessoas. A pesquisa apresenta uma confiabilidade de 95%. A margem de erro é de 2,1% para mais ou menos. 

A composição da amostra contemplou entrevistados de vários ramos de atuação. Dentre os ouvidos, 55% são oriundos dos segmentos de Comércio, Serviços e Turismo, 12% são Autônomos, 10,5% Servidores públicos, 5,5% da Indústria, 2,7% Desempregados e 0,6% ligado à Agricultura. 

Flexibilização

Além disso, a pesquisa revelou que 85,05% dos empresários querem a flexibilização do isolamento "como medida de estimular a economia e evitar o desemprego". Da mesma forma, 64,95% dos trabalhadores formais concordam com a retomada com flexibilização para evitar a perda de postos de trabalho. 

Quanto a essa flexibilização, o presidente da Fecomércio-CE lembrou que o momento é de diálogo com o governo e até esta sexta-feira (2) esperam alguma resposta. Reiterou que "quando há o fechamento das atividades há um impacto muito negativo quanto a investimentos, desemprego e até na ampliação dos negócios". O governo estadual ficou de apresentar uma decisão no domingo de Páscoa (4).

Impacto no emprego

Filizola destacou que entre os pleitos do setor está o de uma redução no IPTU, solicitada à Prefeitura de Fortaleza, enquanto em outros municípios cearenses o mesmo pleito está sendo encaminhado. Admitiu que, diante da parada das atividades no ambiente físico, "com certeza haverá uma queda no emprego, sobretudo nas pequenas empresas.

"Um mês parado equivale a 1/12 avos da estrutura e remuneração, fatos que dificultam a manutenção do emprego. O governo não sente as dores do empresário e cada um sente a dor de uma forma diferente. Um dia de negócio faz a diferença", reitera o representante da Fecomércio.

Retorno às atividades 

Ainda de acordo com Maurício Filizola, a expectativa é de retorno às atividades na próxima segunda-feira (5), mesmo que de forma gradual, com 50% dos trabalhadores e com horário escalonado. "O importante é o retorno. A partir daí vamos colocando a máquina pra girar", diz confiante. Contudo, a decisão sobre a manutenção da medida mais dura de enfrentamento à Covi19 foi adiada para o dia 4 de março, pelo governador Camilo Santana.

Vacinas

A Fecomércio-CE mantém a intenção de adquirir vacinas para o setor de comércio de bens e serviços e turismo. Filizola lembrou que há pendencias jurídicas, mas existe a disposição nesse sentido. Segundo destacou, a entidade buscaria opções de compra no mercado internacional.

Para ele, diante da burocracia inerente ao setor público ocorre uma lentidão nas ações. "O setor produtivo é muito mais ágil, mas deixe-nos agir. Se estivéssemos autorizados, muito mais da população estaria vacinada e estaríamos ajudando nesse momento", observa. Acrescentou que no momento certo a aquisição seria realizada e os imunizantes serão disponibilizados a preço de custo.

Saídas no lockdown

O levantamento da Fecomércio-CE buscou saber também qual o comportamento dos entrevistados em função da situação de pandemia. A maioria, nada menos que 60,9%, afirmou que “está tomando cuidado, mas ainda saindo de casa para trabalhar e fazer outras atividades”.

Outros 31,4% responderam que estão saindo de casa só quando inevitável. Já 3,9% dos respondentes disseram estar vivendo normalmente, sem mudar nada na sua rotina e só 3,8% apontaram estar totalmente isolados, sem sair de casa de jeito nenhum.