Intenção de compra em Fortaleza é a menor em 14 meses

comercio
No começo de 2021, em janeiro e fevereiro,  45,8% dos consumidores haviam mencionado disposição para ir às compras. Agora, só 24,5%, portanto, houve uma reversão na tendência de gradual recuperação e ganho de mais fôlego para o consumo Foto: Freepik

A crise econômica agravada pela segunda onda da pandemia de Covid19 atingiu em cheio o ânimo do consumidor fortalezense.

A intenção de compra é um termômetro da cautela e também da menor liquidez no bolso das famílias, com apenas 24,5% propensos a comprar no segundo bimestre do ano.

O indicador registrado no bimestre Mar-Abr/21 e medido pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC), da Fecomércio Ceará é o menor dos últimos 14 meses. 

Isolamento rígido

A situação reflete também o fechamento das lojas físicas, diante do isolamento rígido. Parte dos consumidores migrou para o e-commerce, mas muita gente passou a adquirir apenas itens básicos, como alimentos. O desemprego elevado é mais um fator a pressionar para baixo a propensão a comprar.

Reação e queda

No começo de 2021, precisamente em janeiro e fevereiro,  45,8% dos consumidores haviam mencionado disposição para o consumo, o maior nível nos últimos 14 meses no cenário de pandemia. Portanto, houve uma reversão clara na tendência, que era de gradual recuperação e ganho, pouco a pouco, de mais fôlego para o consumo.

Nesse contexto, aumenta a preocupação para o comércio de bens e serviços e, especialmente, o turismo, que vem anotando os piores indicadores de ocupação desde o início da pandemia.

No período de retorno do primeiro momento de lockdown no Ceará, em Mai-Jun/20, o indicador de intenção de compra se situava em 28,7%, levemente acima do nível de Mar-Abr/21. Assim sendo, verifica-se uma volta ao estágio de pior momento desta crise, sobretudo para o comércio de bens e serviços e o turismo, este último certamente um dos setores que mais tiveram perdas.

Confiança cai

 

Outro indicador que confirma o momento de aperto financeiro é o de confiança do consumidor, que despencou no segundo bimestre do ano,  marcando 96,8 pontos, frente a 108,4 pontos registrados em janeiro e fevereiro de 2021.

A redução da confiança em Mar-Abr/21 foi de 10,6% ante o bimestre anterior. No segundo bimestre de 2021, o indicador de confiança voltou praticamente ao mesmo patamar registrado em Mai-Jun/20, período em que houve a retomada gradual da economia, ocorrida após o primeiro
lockdown, quando marcou 96,1 pontos.

Incertezas em relação ao emprego, inflação elevada e economia sem tração e a pandemia são os ingredientes desse novo momento de dificuldades exacerbadas tanto para consumidores, quanto para empresários.

Situação das famílias

A pesquisa da Fecomércio-CE/IPDC investigou também como está a situação financeira das famílias em relação há um ano, portanto em Mar-Abr/21 frente a igual período do ano anterior. Para a maioria (52,7%), a situação está ruim, enquanto outros 9,0% consideram péssima. Em contraponto, 37,4% avaliam a situação atual como boa e só 0,9% diz estar ótima.