Fortaleza acumula inflação de 7,10% em 12 meses; 2ª do País

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Está cada vez mais difícil para as famílias de baixa renda, sobretudo, fazerem as compras inclusive essenciais. O combustível a preços exorbitantes impacta em todos os setores Foto: Governo do Ceará

Com salários corroídos e uma parcela cada vez maior de vulneráveis, a população sofre para comprar até mesmo itens básicos. Em março, a inflação na Região Metropolitana de Fortaleza foi de 0,72%, após o 1,48% registrado em fevereiro.

A desaceleração não significa que houve alívio de fato, a taxa acumula variação de 2,59% no ano e de 7,10% nos últimos 12 meses. A segunda maior do País nessa comparação. Os dados são do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta sex-feira (9), pelo IBGE.

Vilões do bolso

Os principais impactos vêm dos aumentos nos preços de combustíveis (7,92%) e do gás de botijão (4,78%). “Foram aplicados sucessivos reajustes nos preços da gasolina e do óleo diesel nas refinarias entre fevereiro e março e isso acabou impactando os preços de venda para o consumidor final nas bombas. A gasolina nos postos teve alta de 11,26%, o etanol, de 12,59% e o óleo diesel, de 9,05%. O mesmo aconteceu com o gás, que teve dois reajustes nas refinarias nesse período, acumulando alta de 10,46%, e agora o consumidor percebe esse aumento”, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Combustível pesa mais

O grupo que registrou maior alta na variação frente ao mês anterior foi Transportes (2,95%), puxado pela alta na gasolina (8,04%) e no óleo diesel (8,74%). Por outro lado, registrou-se queda nas passagens aéreas (-6,45%) e nos transportes por aplicativo (-2,82%). No ano, a gasolina já acumula alta de 16,80%, enquanto os transportes por aplicativo acumulam queda de -30,94%, e as passagens aéreas de -27,77%.

O segundo grupo com maior alta é o de alimentação e bebidas (0,63%), que já acumula no ano alta de 2,34% em 2021. Entre os itens com maior alta, destacaram-se as frutas: manga (28,63%), laranja-pera (15,75%), maracujá (9,17%) e mamão (9,10%). Além disso, os peixes cavala (6,64%) e serra (3,50%) também apresentaram alta em março.

Retração

Já do lado das quedas, batata-inglesa (-11,46%), maçã (-8,93%) e chocolate em barra e bombom (-5,06%) destacaram-se. A Alimentação fora do domicílio registrou variação de 0,33%, com destaque para os itens cerveja (1,38%) e sorvete (1,05%). O grupo com maior retração foi o de vestuário (-0,37%), seguido de comunicação (-0,29%) e artigos de residência (-0,20%).

Baixa renda

Diferente do mês anterior, a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), apresentou um dos menores índices do País no mês de Março de 2021, o percentual ficou em 0,65%, menor que a média nacional, de 0,86%, e maior apenas que o de Recife (0,57%). Entretanto, no acumulado em 12 meses ainda supera a inflação medida pelo IPCA. A variação acumulada do ano é de 2,53% e nos últimos 12 meses ficou em 7,57%. Em março de 2020 o percentual foi de 0,20%.

No mês atual, o grupo Transporte obteve a maior alta nos itens pesquisados pelo INPC, na RM de Fortaleza, com 2,86%, tendo o aumento dos Combustíveis (7,86%) como o mote principal para essa taxa, sendo o Óleo Diesel o subitem que obteve maior aumento, 8,74%. Quatro grupos apresentaram retração: Vestuário (-0,28%); Comunicação (-0,27%); Artigos de residência (-0,24%); e Saúde e Cuidados Pessoais (-0,04%).

Em relação aos demais grupos as variações, em março, foram as seguintes: Alimentação e Bebidas (0,51%), o segundo maior índice do mês atual; Despesas Pessoais (0,35%); Educação (0,22%); Habitação (0,12%).