Guerra e a lista de reflexos econômicos negativos para o CE

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Estudo do Centro Internacional de Negócios (CIN), da FIEC, aponta possíveis consequências provocadas pela instabilidade do cenário geopolítico

Dentre os estados brasileiros exportadores, o Ceará ocupa o 10º lugar como principal fornecedor para a Ucrânia e o 20° para a Rússia, comercializando produtos básicos de consumo, principalmente os semiduráveis, como calçados e não duráveis como frutas. A variação anual foi de - 51% nas exportações e de 43% nas importações, quando comparadas as pautas de 2021 em relação a 2020.

O rol de impactos negativos que o conflito Rússia e Ucrânia traz para o Brasil e o Ceará é elevado e pode ter reflexos mais danosos à medida que o conflito se estende. A preocupação com a maior aceleração inflacionária está no centro das dificuldades.

O Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), preparou um estudo com os dados de comércio internacional entre o Brasil e os dois países que aponta possíveis impactos gerados pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

Insumos

O Brasil é o principal exportador da América Latina para Ucrânia e para Rússia em produtos básicos de consumo ou insumos para a indústria. Na importação, destacam-se bens de produção, como combustíveis e fertilizantes.

Atualmente, a Rússia é o 36º principal destino para os produtos brasileiros e o 6º principal fornecedor para o Brasil; já a Ucrânia, ocupa o 75º lugar como mercado consumidor para as exportações brasileiras e é o 63º exportador. Em 2021, as exportações brasileiras para a Ucrânia e a Rússia foram de US$ 226,8 milhões e US$ 1,6 bilhão, respectivamente.

Petróleo e trigo

“Sabemos que, em se tratando de preços de energia, as exportações russas de petróleo e gás podem cair por conta das sanções e que as duas nações juntas representam quase 30% das vendas mundiais externas de trigo, além do peso da Rússia nos embarques de metais industriais, o que repercute nos custos, preços e nos mercados financeiros”, afirma Karina Frota.

Lista de problemas

Com o aumento das conexões das cadeias globais, as sanções aplicadas à Rússia podem afetar as exportações e importações cearenses e brasileiras. Atualmente a Rússia possui uma grande reserva de moeda estrangeira que pode assegurar a curto prazo as compras do país, caso não sejam aplicadas sanções mais severas, ainda assim com impactos negativos nas balança comercial do país e PIB mundial.

O congelamento de ativos e bens de cidadãos russos em países estratégicos podem restringir o acesso ao financiamento impactando a movimentação de setores da economia russa ou mesmo dos financiamentos à exportação e pagamentos das compras internacionais;

A médio prazo, a baixa nas linhas de crédito tende à queda das exportações. Deverá haver aumento nos valores aplicados à logística de produto como frete e seguros internacionais.

Celeiro da Europa

A Ucrânia é considerada “celeiro da Europa” e a Rússia tem papel de destaque na produção e exportação mundial de gás natural e o abastecimento dessas commodities para o mundo estará comprometido.

Preços das commodities

Torna-se possível uma valorização nas commodities o que aumentaria a participação nos produtos da categoria produzidos pelo Brasil. A longo prazo pode acarretar um aumento no preço desses produtos e abastecimento na economia interna que já sofre com os impactos da inflação.

A dificuldade na importação de fertilizantes para o Brasil afetando o desenvolvimento de lavouras que abastecem a exportação agrícola. A diminuição da importação de todos os produtos provenientes dos dois mercados.

A retirada dos bancos russos do código swift, código que garante as transações internacionais de dinheiro, pode isolar o país de realizar transações comerciais com o Brasil. 

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