Aquavelas: mar de Fortaleza ganha jangadas com obras de arte

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A partir de referências artísticas e pessoais, 11 nomes Levaram às telas elementos que traduzem, entre formas, traços e texturas, a importância da defesa dos oceanos e da vida marinha

O mar virou uma imensa galeria e as nossas jangadas as telas, com a expressão de artistas cearenses enaltecendo a força dos “povos do mar”. Esta foi a abertura do Encontro Sesc Povos do Mar, levando cores e arte para a orla de Fortaleza.

O espetáculo aconteceu neste domingo (12 ), brindando logo cedo quem foi à Enseada do Mucuripe (próximo ao Mercado dos Peixes). As obras de arte pintadas em velas de jangadas fizeram um passeio pelo litoral da Capital cearense, podendo ser vistas a cerca de 200 metros da margem, navegando em direção ao Rio Ceará, onde encerram o trajeto por volta das 13h.

11 artistas

A partir de referências artísticas e pessoais, neste ano, esses 11 nomes vão levar para as telas elementos que traduzam, entre formas, traços e texturas, a importância da defesa dos oceanos e da vida marinha. 

Mano Alencar, Edmar Gonçalves, Zé Tarcísio, Totonho Laprovitera, Almeida Luz e Andrea Dall’Olio, Vando Farias e Julio Silveira, que participaram do Aquavelas em 2020, também participam da exposição este ano. Soma-se ao coletivo Hélio Rola, Ana Débora e Luiz Freire.  

“As velas pintadas por esses renomados artistas vêm para celebrar toda a cultura dos povos do mar, além de simbolizar a importância da preservação do nosso litoral e de pensar ideias e soluções que dialoguem com o desenvolvimento sustentável. A exposição Aquavelas também não deixa de ser uma forma de celebrar a cultura e modos de vida existentes de comunidades costeiras do Estado”, explica Paulo Leitão, consultor do Sesc Ceará.

Coletivo

Antes da abertura do Encontro Sesc Povos do Mar, o coletivo se reuniu no Sesc Iparana Hotel Ecológico. Nesse encontro, eles começam a personalizar suas jangadas, além de trocar ideias, dicas e experiências artísticas para a criação de suas velas. “Trata-se de um momento de integração, quando os artistas têm a oportunidade de criar e pensar juntos. Fizemos isso em 2020 e eles fizeram questão de repetir a experiência este ano”, pontua Paulo Leitão.   

A iniciativa

Há 11 anos, a Rede Sesc Povos do Mar foi fundada com a participação de três grupos específicos: os moradores do entorno do Sesc Iparana Hotel Ecológico, pessoas conhecedoras da fitoterapia popular, que ensinaram a produção de lambedores, do óleo de coco, infusões com raízes, colorau, entre outros produtos naturais. Também faziam parte os  grupos da dança do Coco no Pecém e Iguape, pioneiros de uma rede específica no Povos do Mar da qual participam hoje 15 coletivos. Além destes, os barqueiros estavam presentes marcando a relevância histórica da região da Barra do Ceará.
 
Atualmente, mais de duzentas das comunidades litorâneas de 25 municípios integram a rede, composta por cinco eixos: Meio Ambiente e Sustentabilidade; Cantos, Danças e Brincadeiras; Dragões do Mar, Feito à Mão e Saberes, Sabores e Saúde. São rendeiras, jangadeiros, barqueiros, marisqueiras, canoeiros, pescadores, mestres da cultura, brincantes de maracatus, reisados, mestres do Teatro de Bonecos que compartilham seus saberes e experiências. Neste ano, o Encontro Sesc Povos do Mar acontece de 12 a 16 de dezembro.