Alta de consumidores no Ceará gerando própria energia é de 113%

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"Cada vez mais, o País, que ainda conta com cerca de 60% da sua matriz dependente das hidrelétricas, percebe que é preciso diversificar, de preferência com fontes igualmente limpas, mas, estáveis”, diz o presidente do Sindienergia-CE, Luis Carlos Queiroz

A geração própria de energia, com a aquisição de placas solares fotovoltaicas disparou em 2021. Somente no Ceará, a escalada da Geração Distribuída (geração de energia pelo próprio consumidor) foi de 113% em se tratando de novas unidades produtoras e já são quase 30 mil consumidores usufruindo desse tipo de geração, conforme calcula o Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico – Sindienergia-CE, com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Vilão do consumo

A adesão reflete uma reação a um dos grandes vilões do consumo em 2021: a energia. Com a pior crise hídrica vivenciada nos últimos 90 anos no País, os brasileiros se viram diante de dois pesadelos: o risco de um apagão e os sucessivos aumentos na conta de energia, chegando a acréscimos de quase 15% a cada 100kw consumidos, com a adoção das bandeiras no valor da energia cobrada ao consumidor. 

Geração

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica – Absolar, o Ceará hoje ocupa a nona colocação no ranking de Geração Distribuída e a quinta colocação em se tratando de Geração Centralizada de Energia Solar, chegando a uma produção de quase 3 mil GW, entre usinas em operação, em construção e ainda não iniciada. 

Descarbonização

“Tivemos um ano extremamente positivo para as energias renováveis no Brasil e no Ceará, de maneira especial. Em meio à descarbonização que o mundo vive, nosso país vem tentando também não ficar de fora desse movimento tão importante e o Ceará tem despontado entre os maiores produtores desse tipo de energia. Com a iminência de um racionamento no Brasil, ficou ainda mais nítido que não é mais possível depender das chuvas para gerar energia ou de uma energia cara e poluente, originária das térmicas, e, portanto, a necessidade de desenvolvermos mais energias alternativas é urgente. Cada vez mais, o país, que ainda conta com cerca de 60% da sua matriz dependente das hidrelétricas, percebe que é preciso diversificar, de preferência com fontes igualmente limpas, mas, estáveis”, destaca o presidente do Sindienergia-CE, Luis Carlos Queiroz.

Eólicas

“Hoje, as eólicas e solares ainda representam fatias tímidas nessa “pizza” da matriz energética brasileira: a primeira corresponde a apenas 10% e a segunda a cerca de 2%. Por outro lado, temos sol e vento em abundância e a lógica que devemos vivenciar é uma migração, cada vez maior, para essas fontes, tendo em vista também o fator sustentabilidade”, completa Queiroz.

Para o diretor de Geração Distribuída do Sindienergia-CE, Hanter Pessoa, que também é empresário do segmento, a aprovação na Câmara Federal e no Senado do Marco Regulatório da Geração Distribuída em 2021 foi um fator importante para o maior crescimento do segmento entre os consumidores, uma vez que a lei trará muito mais segurança jurídica e, consequentemente, uma adesão ainda maior dos consumidores à geração própria de energia. O projeto aguarda apenas a sanção presidencial. “Chegamos ao final do ano com quase 30 mil ‘prosumidores’, ou seja, quase 30 mil cearenses usufruindo desse excelente negócio - sustentável e econômico - que é gerar a própria energia por meio de sistema solar fotovoltaico, um crescimento superior a 100%”, reforçou Hanter Pessoa.

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