2,38 milhões de consumidores no Ceará estão inadimplentes

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As dificuldades levaram milhões a deixarem de lado contas de despesas básicas, como água e luz ou a elegerem uma despesa para pagar em detrimento de outra Foto: Freepik

Nada menos que 2.384.536 consumidores estão inadimplentes no Ceará. No Brasil, os números de maio, segundo o Serasa Experian, apontam 62,56 milhões de pessoas nesta condição. O número nacional é 0,7% menor do que o verificado em abril, quando o indicador estava em 62,98 milhões.

Significa que estes brasileiros têm pelo menos uma conta em aberto e muito deles sem condições de quitar inclusive pelo motivo de terem optado por pagar algo que foi eleito como mais importante.

As dificuldades levaram milhões a deixarem de lado contas de despesas básicas, como água e luz. No caso da energia, a situação tende a se agravar ainda mais com o tarifaço imposto sobre os consumidores que, além de enfrentarem os aumentos anuais, são obrigados a arcar com taxas mensais cada vez maiores.

Fortaleza

Em Fortaleza, a inadimplência medida pelo IPDC/Fecomércio apontou o maior nível nos últimos 14 meses no bimestre de maio/jun-2021, atingindo 14,5% dos consumidores.

Segundo dados do Banco Central, o endividamento das famílias brasileiras passou de 49,4%, em março de 2020, para 57,7% em fevereiro de 2021 – aumento de 8,3 pontos percentuais. 

A situação pode comprometer não só o consumidor, mas também o fluxo de caixa das empresas, que deixam de receber, o desempenho da economia como um todo, assim como o tomador de crédito. 

Valor médio

O valor médio da dívida por pessoa, no entanto, é o maior dos últimos 12 meses, e está em R$ 3.937,38, alta de 1,3% em relação ao mês anterior. O valor médio de cada conta em atraso é de R$ 1.162,43.

O maior volume de dívidas está na categoria bancos/cartão, representando 29,7% dos mais de R$ 211 milhões de débitos. Em seguida, estão as contas com luz, água e gás, com 22,3%. As compras no varejo representam 13% das dívidas dos brasileiros.
 

Superendividamento

A Lei 14.181/2021, publicada nesta sexta-feira (2) no DOU, é um marco para tratar e prevenir o superendividamento no Brasil. A lei aperfeiçoa a disciplina do crédito do consumidor e dispõe sobre a prevenção e o tratamento do superendividamento, alterando o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto do Idoso.

A Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), em nome do setor de inteligência de crédito, pontua que a legislação de prevenção ao superendividamento prevê mais transparência nas relações entre o consumidor e o fornecedor de serviços e soluções em crédito. A legislação tenta impedir condutas consideradas extorsivas.

Educação financeira

A entidade ressalta ainda a relevância do tema do ponto de vista da educação financeira do credor, que é parte importante da equação. As instituições financeiras passam a criar a cultura de avaliação de risco na concessão de crédito, melhorando a oferta e reduzindo a inadimplência. Dessa forma, toda a cadeia de crédito ganha.

Definição

As definições de superendividamento variam de país para país. No Brasil, o superendividamento foi definido como a situação em que o consumidor fica  impossibilitado de pagar a totalidade de suas dívidas de consumo sem comprometer o mínimo necessário para sua existência, o que mostra a necessidade de atenção para a dimensão social do tema.