Brasil: dificuldade de pagar contas já atingia 72,4% em 2018

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46,2% da população integravam famílias com atraso em ao menos uma conta do domicílio

O cenário financeiro no Brasil já era desafiador para a maioria das famílias antes da pandemia. Entre 2017 e 2018, 14,1% da população tinham muita dificuldade para pagar as contas e apenas 1,1% muita facilidade.

Além disso, 46,2% da população integravam famílias com atraso em ao menos uma conta do domicílio. Além disso, a despesa per capita mensal com os serviços financeiros selecionados foi de R$ 124,79.

Perfil das despesas

Cerca de 72,4% da população brasileira viviam em famílias com alguma dificuldade para arcar com as despesas mensais, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: Perfil das Despesas, divulgada nesta quinta-feira (19) pelo IBGE.

Enquanto 58,3% viviam em famílias que alegavam dificuldade, 14,1% tinham muita dificuldade. Já outros 26,5% tinham facilidade e apenas 1,1% viviam em famílias que responderam ter muita facilidade para chegar até o fim do mês com a renda total familiar que tinham.

Entre os integrantes de famílias com pessoa de referência preta ou parda, 9,7% tinham muita dificuldade e 34,7% tinham dificuldade, totalizando 44,4% da população do País que viviam em famílias com alguma dificuldade e eram chefiadas por pretos ou pardos. Já nas famílias cujo responsável era branco, 4,2% tinham muita dificuldade e 22,8% tinham dificuldade, totalizando 27,0% da população do país com algum grau de dificuldade.

Atrasos

A pesquisa mostra também que, entre 2017 e 2018, 46,2% da população integravam famílias com atraso em ao menos uma conta do domicílio devido a dificuldades financeiras. Famílias com atrasos em contas de água, eletricidade ou gás concentravam 37,5% da população, segundo por atrasos em prestações de bens e serviços (26,6%) e atrasos com a aluguel ou prestação do imóvel (7,8%).

Entre os 46,2% da população que integravam famílias com contas em atraso, 26,0% também eram de famílias em que a pessoa de referência tinha até o ensino fundamental completo e apenas 3,8% da população também pertenciam a famílias cuja pessoa de referência tinha o nível superior completo.

Desigualdades regionais

O Sudeste concentrava 18,9% da população vivendo em famílias em que pelo menos um morador realizou despesas com taxas bancárias, juros de cheque especial e de cartão de crédito no período do estudo. O Nordeste (7,9%) teve a segunda maior concentração, mas bem distante do primeiro lugar. Porém o Sul, com uma população bem menor, teve um percentual próximo (6,8%). No Centro-Oeste (4,1%) e no Norte (1,9%) essas despesas não atingiam nem 5% da população.

Nas transações que envolvem a tomada ou o pagamento de empréstimos e despesas com parcelamento de imóveis, automóveis e motos, o Sudeste também lidera, pois concentrava 12,8% da população do país vivendo em famílias que tiveram ao menos uma transação com esses serviços, mas o percentual no Nordeste (9,4%) foi o dobro do Sul (4,7%). O Centro-Oeste (3,0%) e o Norte (2,2%) vinham a seguir.

A concentração da população brasileira que vivia em famílias do Sudeste que tiveram despesas ou recebimentos com serviços de seguros foi de 18,0%, 7,6% em famílias do Sul, 5,9% do Nordeste, 3,0% do Centro-Oeste e 0,8% do Norte.