Comércio formal pleiteia retomada na próxima semana 

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Maurício Filizola, presidente da Fecomércio-CE, representando 34 sindicatos, prevê perdas de até 50% no faturamento das empresas com 15 dias de paralisação das atividades

Com o isolamento rígido em curso no comércio de bens e serviços e turismo, de acordo com Maurício Filizola, presidente da Fecomércio-CE, as perdas de faturamento podem chegar a 50% em um período de 15 dias. 

A longo prazo, considerando o período de um ano, o prejuízo financeiro pode atingir "de 10% a 20%, quando o negócio não fecha, além da possibilidade de desestruturar a cadeia do setor", aponta.

Levantamento da Federação, com 535 empresas, mostra que 85% dos negócios do setor no Ceará se adaptaram para o atendimento, como forma de enfrentar a pandemia de coronavírus. Com o rol de protocolos construídos e adotados, o setor pleiteia o

demanda

retorno à operação já na próxima semana, com as ações de prevenção caminhando com faseamento, flexibilização e 50% dos empregados (Veja quadro).

Solicitação ao governo

Proposta para dialogar com o governo com horários de operação escalonados por zona do comércio formal já foram encaminhadas na sexta-feira (12), ao governo estadual, juntamente com a pesquisa sobre o comportamento do comércio na pandemia. Agora, a Fecomércio-CE, representando 34 sindicatos, aguarda o retorno.

"Precisamos ter as nossas portas abertas. Com diálogo encontrar uma saída que deixe todos trabalhando", assinala Filizola. Ele enfatiza a necessidade de buscar alternativas para a manutenção das empresas também, através do crédito e estímulos.

Protocolos

Garante ainda que os segmentos estão bem preparados e seguindo as normativas e protocolos desde o período pós-primeiro lockdown. "A retomada do setor produtivo escalonada se mostrou efetiva a partir de maio de 2020", reitera.

Críticas

De acordo com Filizola, o comércio está pagando um preço por conta de setores que atuam de forma desordenada, a exemplo do transporte público. "Não tiro nossa responsabilidade de contribuir e espero que isso aconteça a partir da próxima semana porque estamos contribuindo com nosso papel e nossa responsabilidade", assevera.

Admitiu que o setor gera deslocamentos, mas que não estão sendo realizados de forma correta. "Parte do transporte feito na cidade não ocorre assim. Vamos achar as soluções e o governo tem que fazer a sua parte", disse referindo-se às fiscalizações.

O presidente do Sindilojas, Cid Alves, afirma que não se vê aglomeração nas lojas. Entretanto, nos transportes e terminais "há um vetor de contágio, mas não vê o governo tomar medidas".

O que a pesquisa constatou

A pesquisa foi realizada entre os dias 07 e 08 de março, com 535 empresários, através de aplicação de questionários online. Segundo o levantamento, 54% dos entrevistados informaram que não houve funcionário infectado por coronavírus nos seus estabelecimentos. Outro dado importante é que 97% dos empresários afirmaram não ter havido ocorrência de óbito por coronavírus nas suas empresas.

Em números absolutos, considerando o universo de 34.131 colaboradores das empresas pesquisadas, 1.912 relataram casos de infecção e a soma dos casos que foram a óbito foi de 23.

Ainda conforme a pesquisa, dentre as medidas adotadas pelo setor para se ajustar ao cenário de pandemia, foram citadas:  regulação do limite de pessoas dentro dos estabelecimentos, 39%; restrição no horário de funcionamento, 31%; diminuição do quadro funcional, 14%; e revezamento dos funcionários por turno/dia, 8%.

Os empresários também responderam sobre o treinamento dos funcionários para o enfrentamento da pandemia. Assim sendo, 73% investiram em procedimentos corretos de prevenção, 56% em uso correto de EPI (Equipamentos de Proteção Individual), 54% em higiene e 34% em rotina de trabalho.

Saúde dos funcionários

A pesquisa perguntou também sobre os métodos utilizados para acompanhar a saúde dos funcionários. 91% citaram disposição acessível de álcool em gel, 66% destacaram atenção quanto ao surgimento de sintomas respiratórios, 57% citaram medição de temperatura, 31% pontuaram controle de fluxo em ambiente de alimentação, 13% citaram disponibilidade gratuita para teste de Covid-19, 3% informaram sobre vacina contra gripe e 23% apontaram outras medidas.

Vacinas

O presidente da Fecomércio-CE também revelou o interesse em adquirir vacinas. Lembrou, contudo que existem as regras de mercado. "O ideal é que o governo faça a parte dele. Se os estados e municípios querem fazer a vacinação, que se possibilite isso. Teríamos uma vacinação de forma ampliada. Infelizmente tudo passa por disputas políticas”, diz. acrescenta que há possibilidade de compra. "Se a empresa tiver condições de adquirir e imunizar seus colaboradores, poderá fazer. Mas é algo indefinido. Conseguiremos fazer isso no momento que tivermos o mercado contemplado”, conclui.