Especialistas em economia do Ceará captam queda do pessimismo

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O economista e professor universitário Ricardo Eleutério Rocha, analista econômico do levantamento, comenta o comportamento dos indicadores macroeconômicos

Análise de 122 especialistas cearenses atuantes em diversos segmentos da economia, referente ao bimestre de maio e junho deste ano, revela uma leve redução do pessimismo. 

De acordo com o levantamento, três variáveis macroeconômicas estão configurando otimismo. Porém, outras seis se mantêm no campo do pessimismo, ainda preponderante, já que na pesquisa anterior as variáveis negativas registradas foram sete.

Percepção

São considerados positivos no momento o cenário internacional (144,4 pontos); evolução do PIB (120,7 pontos) e oferta de crédito (105,2 pontos). 

De outro lado, os analistas apontam como negativos: o nível de emprego (90,5 pontos); taxa de câmbio (85,3 pontos); gastos públicos (49,1 pontos); taxa de inflação (41,4 pontos); salários reais (37,9 pontos) e taxa de juros (21,1 pontos), que atingiu a menor pontuação.

Parceria

O chamado Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE) é realizado através de parceria entre a Fecomércio-CE e o Conselho Regional de Economia (Corecon-CE).

Para melhor compreensão, a pesquisa pontua de zero a 200 pontos as variáveis analisadas. Abaixo de 100 pontos configura-se uma situação de pessimismo e acima desse valor, otimismo.

O economista e professor universitário Ricardo Eleutério Rocha, analista econômico do levantamento, comenta o comportamento dos indicadores macroeconômicos e sua dinâmica atual, explicando o motivo da redução do pessimismo e de a pesquisa ainda não ter captado otimismo. 

Inflação e Selic

Com relação ao comportamento da inflação, conforme ressalta o professor, o País assiste a um processo de aceleração inflacionária. "A última pesquisa Focus (Boletim do Banco Central) revela que devemos ter uma inflação neste ano, medida pelo IPCA, maior que o limite superior da meta". A previsão do mercado financeiro já é de 5,97%, portanto, beirando os 6%.

Eleutério destaca que, "em função disso, o Banco Central já vem elevando a taxa Selic e deve continuar nessa trajetória de aumento da taxa de juros, que dentro do regime de metas é o remédio para conter a inflação". Contudo, pontua que com os juros subindo há o benefício, mas também existe o custo. "Encarece o crédito, inibe consumo investimento. As demais taxas de juros sobem, a dívida pública aumenta", assinala. 

PIB

Quanto ao desempenho do PIB, o professor lembra que houve queda de 4,1% no ano passado. E para este ano, as projeções são de uma taxa de crescimento em torno de 5%. "Entretanto, essa taxa mais elevada retrata um efeito estatístico. A base de comparação é muito baixa. E qualquer retomada tem o efeito em termos percentuais significativo. Mas o cenário ainda é bastante desafiador", esclarece. 

Câmbio

Quanto ao dólar, Ricardo Eleutério lembra que a moeda norte-americana já derreteu algo em torno de 5%, no acumulado deste ano. Contudo, ressalva que este comportamento é verificado nos países emergentes como um todo, não se tratando de uma dinâmica especialmente positiva da economia brasileira. Pondera, portanto, que "o dólar ainda está muito alto. Subiu 30% no ano passado e neste ano derreteu apenas 5%. Em um ano e meio temos uma alta de 25%, o que termina por pressionar a inflação", observa.

Incertezas

O professor acrescenta que, "além disso, temos uma política muito volátil, cenários confusos e que podem produzir impactos na dinâmica econômica e até mesmo reverter o otimismo que outras pesquisas registraram, mas que a nossa não capturou", conclui.