img
A expedição chegou ao distrito de Dom Leme, no qual uma associação com 25 artesãs reúne crochê, fuxico, ponto cruz, renda de bilro, palha e a cestaria de cipó-uva, planta nativa da Chapada do Araripe Foto: Divulgação

 

Selo da Moda Ceará: Sindroupas e Sindconfecções mapeiam identidade da moda cearense

O Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas do Ceará (Sindroupas-CE) e o Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas no estado do Ceará (Sindconfecções) realizaram uma expedição pela região do Cariri, como parte do Selo da Moda Ceará, projeto que vai mapear e catalogar a identidade da moda cearense, desde cores, territórios e costumes a artesanias, materiais e saberes.

A iniciativa tem apoio do Sebrae e da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), entre outros parceiros institucionais. O material reunido dará origem a um livro e a um documentário, e servirá de guia para marcas, criadores e instituições que queiram falar da moda do Ceará com profundidade e respeito à origem.

Municípios

A comitiva passou por municípios como Nova Olinda, Santana do Cariri e Missão Velha, visitando museus orgânicos, oficinas familiares, associações de artesãs, o laboratório de arqueologia da Fundação Casa Grande e o Grupo Linardi, uma das indústrias mais antigas do interior cearense.

Conhecimento

“Nós não viemos ensinar ninguém a trabalhar. Pelo contrário, viemos aprender e ver como fazer a conexão desses saberes com o mundo”, afirmou Paulo Rabelo, Presidente do Sindroupas-CE e idealizador do projeto. “Ninguém valoriza o que não conhece. O Selo da Moda Ceará existe para mapear, registrar, proteger e contar ao Brasil e ao mundo quem é a moda do Ceará, com os nossos mestres e mestras como protagonistas”, acrescenta.

Em Nova Olinda, a comitiva visitou o Museu Orgânico do Mestre Espedito Seleiro, criado pela Fundação Casa Grande em parceria com o Sesc Ceará, e dedicado ao trabalho do artesão cearense, que cria peças inspiradas em vaqueiros e ciganos do sertão. Também no município, o grupo conheceu o trabalho da mestra rendeira Dona Dinha.

Já na cidade de Santana do Cariri, a comitiva foi recebida pelas Guardiãs da Renda de Bilro, 16 rendeiras que preservam a técnica da renda produzida a partir da palha de bananeira, chita, espinhos de mandacaru no lugar de alfinetes e bilros feitos com o caroço de macaúba.

Artesãs

A expedição chegou ao distrito de Dom Leme, no qual uma associação com 25 artesãs reúne crochê, fuxico, ponto cruz, renda de bilro, palha e a cestaria de cipó-uva, planta nativa da Chapada do Araripe.

Em Missão Velha, o grupo conheceu Mestra Corrinha, ceramista que há 37 anos trabalha com o barro, e a FibraArte, associação de 11 artesãs que transforma o tronco da bananeira, descartado depois da colheita do cacho, em bolsas, tapetes, luminárias, franjas e fio para crochê.