Crise: Dia do Trabalho no 2º ano da pandemia

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Os trabalhadores brasileiros vivem uma crise dentro da crise trazida pela pandemia, que agrava longa depressão brasileira

A atual situação de precarização do mercado de trabalho e o aumento do custo dos alimentos, vivido em 2020, não são consequência apenas da crise sanitária mundial, mas também estão relacionados com o projeto econômico e político implementado após 2016. A afirmação é do Dieese, em análise neste 1º de Maio, quando o desemprego é recorde e afeta 14,4 milhões de brasileiros.

No mercado de trabalho, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PnadC/IBGE), havia inclusive sinais de piora antes do início da pandemia.

8,9 mil sem perspectiva

A falta de perspectiva, a possibilidade de contaminação e a necessidade de isolamento social 8,9 milhões de pessoas fora da força de trabalho, sem renda, trabalho e perspectiva fizeram com que parte dessa população deixasse a força de trabalho, ou seja, muitos desses trabalhadores não saíram em busca de uma nova colocação. São 8,9 milhões de pessoas sem trabalho e renda, sem procurar ocupação. 

Reflexos 

 A partir da implementação das reformas trabalhista, previdenciária e do teto de gastos, medidas defendidas pelo governo e apoiadores como solução para a economia brasileira, os problemas se intensificaram.

Mais precarização

A reforma trabalhista, que passou a valer em novembro de 2017, prometia a melhora do ambiente de negócios e a geração de milhões de empregos formais, inclusive por meio da criação dos contratos intermitentes. Bem diferente da promessa, o que se assistiu a partir de então foi o aumento do desemprego e da informalidade, queda da renda do trabalho e um movimento de precarização generalizada.

Inflação

Em relação aos preços, o descontrole ocorre devido a diversas medidas executadas desde 2016, como: a redução dos estoques reguladores da Conab (Companhia Nacional de Abastecimentos); o fim do subsídio do gás e da política de valorização do salário mínimo; e o aumento das exportações de alimentos.
A situação econômica do Brasil já era grave. A pandemia veio complicar o quadro.

Nos últimos três meses de 2019, pouco antes do início da pandemia, o desemprego tinha caído apenas 0,8 ponto percentual. No fim de 2020, nove meses após o começo da crise sanitária, 13,9% da força de trabalho não tinham ocupação. Houve redução de 635 mil no número de desempregados entre o 4o trimestre de 2017 e Desocupação cai muito pouco após reformas,
mas desalento e subocupação crescem.

Já 2020 chegou ao fim com 8,4 milhões de ocupados a menos do que em 2019. A queda no número de trabalhadores formais foi inferior à de informais, que não contaram com nenhum mecanismo para garantir estabilidade no trabalho ou com os incentivos econômicos das políticas de preservação de emprego e crédito
– como o Benefício Emergencial de Preservação Ocupação aumenta puxada pela informalidade.

Renda média

O rendimento médio do trabalho cresceu somente R$ 41 entre os quartos trimestres de 2017 e 2019.Enquanto os trabalhadores formais viram a renda aumentar 1,4% nesse período, os informais tiveram ganho maior, de 5,8%. Antes da pandemia, entretanto, o rendimento dos informais (R$ 1.479) era, em média, metade do recebido pelos formais (R$ 2.950).

Em 2020, após o início crise do coronavírus, a massa de rendimentos mensal do trabalho caiu 6%, passando de R$ 217,8 bilhões para R$ 204,9 bilhões, o que significa R$ 13 bilhões a menos no bolso dos trabalhadores, todos os meses, e um menor volume de renda disponível para o consumo, o que dificulta a retomada do crescimento econômico.

Com a reforma trabalhista, foram criados milhares de contratos intermitentes. Muitos nunca saíram da gaveta. Nessa modalidade, o trabalhador fica à disposição do empregador, aguardando, sem remuneração, ser chamado para trabalhar. Entre os intermitentes admitidos em 2019 e ativos até o fim do ano, 22% não trabalharam nenhuma vez. A remuneração mensal média dos que 
conseguiram trabalhar, no fim de 2019, foi de R$ 637, equivalente a 64% do valor do salário mínimo.