Inteligência Artificial une Cimento Apodi e UFC em projeto

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Parceria com universidade iniciou em 2019, quando um sistema similar foi implantado na unidade da Apodi no Pecém, o que aumentou a produtividade do moinho em 10% e reduziu custos no processo.

A Cimento Apodi e a Universidade Federal do Ceará – campus Russas – retomaram a  parceria, desta vez, para implantação de uma plataforma inteligente de gerenciamento do sistema de forno de cimento, na fábrica localizada em Quixeré/CE, a cerca de 200km de Fortaleza.

Com o novo projeto, que faz uso de algoritmos de inteligência artificial, a ideia é desenvolver um sistema para automatizar o moinho e o forno de clínquer (matéria-prima do cimento), com o objetivo de reduzir as paradas do forno, os consumos de energia e água, além de aumentar a produtividade.

Apodi 4.0

O projeto faz parte do programa “Apodi 4.0”, iniciado em 2019, que tem a finalidade de implementar processos do conceito Indústria 4.0 na produção – com investimento avaliado em R$ 230 milhões nas unidades Pecém e Quixeré até 2030. Em 2019 houve a primeira parceria com a UFC Russas, que desenvolveu um software integralmente cearense e aumentou em cerca de 10% a produção de cimento da fábrica de moagem da Apodi no Pecém, com uso de algoritmos de inteligência artificial na automação do moinho.

Potencial

Para o gerente da fábrica da Apodi em Quixeré, Marco Aurélio, o projeto é uma mostra do potencial das parcerias entre a universidade e o setor produtivo. “Quebramos o paradigma do distanciamento entre academia e indústria e estamos sempre abertos a novas parcerias. Além do aumento da produtividade, o primeiro projeto na unidade Pecém possibilitou a Apodi fortalecer os laços com a UFC; robustecer nosso conhecimento sobre inteligência artificial e servir como base para esse novo sistema de inteligência artificial a ser implantado em Quixeré”, destaca.

Marco Aurélio sinaliza ainda que, quando o projeto for concluído, será possível ter muitos benefícios como a redução da energia e um melhor rendimento. “Essa redução não se dá necessariamente pelo menor consumo de combustíveis, ela pode se dar também pelo aumento da produtividade. Nossa expectativa é que uma dessas duas coisas consigam trazer o retorno deste investimento”, conclui.

Desafios

No projeto para a fábrica da Apodi em Quixeré, a investigação e o desenvolvimento de algoritmos envolvem oito professores-pesquisadores e alunos do Laboratório de Tecnologias Inovadoras (LTI) da UFC Russas, sob a coordenação do professor Dmontier Aragão, do curso de Engenharia da Produção. A equipe trabalha no projeto desde outubro passado e a expectativa é de que os sistemas de automação fiquem prontos em um ano e meio.

“O desafio neste projeto é um pouco maior: enquanto no Pecém tínhamos um moinho que trabalhava com 60 a 90 toneladas de cimento/hora, em Quixeré temos agora um processo que pode chegar a mais de 250 toneladas/hora na moagem de matéria prima. O processo de fabricação do clínquer é bem mais complexo do que a moagem do material. A gente espera muitos bons resultados para a empresa, como a redução do consumo de matéria-prima, de energia térmica, de energia elétrica e água, além da melhoria do rendimento da produção. Esperamos também muito conhecimento e valor agregado para a universidade”, avalia o professor Dmontier Aragão.