Aprendizes e estagiários garantem até 30% da renda familiar

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Em todo o Brasil 1,75 milhão de jovens de candidatos a estágio e o CIEE defende um novo modelo trabalho/estudo, "um trabalho assistido, monitorado e que forma o jovem

A participação do jovem na renda da família tem crescido substancialmente. Isso é uma realidade para aprendizes e estagiários no Brasil, que foi acentuada com a pandemia. A bolsa auxílio e o salário do aprendiz acabam servindo como sustento. Muitas vezes esta é a única renda da família. De acordo com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), o percentual varia conforme a região do País, mas no mínimo 30% da renda familiar acabam vindo desse jovem. E se houver pessoas desempregadas na família esse percentual aumenta.

Em todo o Brasil 1,75 milhão de jovens de candidatos a estágio e o CIEE defende um novo modelo trabalho/estudo, "um trabalho assistido, monitorado e que forma o jovem". Segundo o CEO do CIEE, Humberto Casagrande, o aprendiz e o estagiário têm também uma importância econômica. Destaca estudo da Fipe que indica um impacto de R$ 11,6 bilhões na economia ao somar a renda de aprendizes e estagiários.

Chamando a atenção para a necessidade de uma maior integração entre políticas públicas educacionais e a inserção dos jovens no mundo do trabalho em um País que atualmente conta com mais de 54 milhões de estudantes, o Fórum da Juventude pela Educação apresentou propostas e oportunidades de atuação, em uma síntese desenvolvida a partir de reuniões e encontros nos últimos meses.

Impacto da pandemia

A constatação é de que a situação recente da Covid19 teve impacto na redução do interesse de uma parcela dos empresários em ampliar as vagas de estágio. Com a crise econômica, o setor de serviços é quem mais contrata jovens e foi justamente o mais afetado pela pandemia. Na prática, nunca faltou para alunos da área técnica e de engenharia, mas há dificuldade é para as áreas de humanas.

Estiveram presentes no Fórum, representando o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), o presidente do Conselho de Administração, José Augusto Minarelli; o CEO, Humberto Casagrande e o superintendente Institucional, Ricardo Melantonio. O professor Daniel dos Santos, do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social da Universidade de São Paulo (Lepes-USP) e o professor Wander Soares, da Academia Paulista de Educação também participaram.

Trabalho e estudo

De acordo com os integrantes do Fórum, a maioria dos estudantes ingressa no mundo do trabalho ao concluírem o ensino médio. Assim, o primeiro emprego se torna uma atividade traumática, com alto grau de precariedade, com o jovem atuando sem experiência ou habilidades técnicas.

“O cotejo dos números mostra a quantidade de alunos em evasão escolar, jovens desempregados, que não terminam o ensino médio. Nessa direção, entendemos que no Brasil não há estudo se não houver trabalho. Para que haja conclusão e melhoria dos estudos, é preciso haver trabalho. O jovem tem que trabalhar para estudar”, defende Humberto Casagrande. 

O grupo constatou que o novo ensino médio pode auxiliar a gerar mais oportunidades, e o tempo integral precisa ser integrado com o estágio ou aprendizagem para o desenvolvimento de habilidades técnicas e emocionais.

“O conjunto das propostas trabalha para fortalecer as oportunidades tanto preservando os direitos que já foram garantidos, quanto de aprofundar a conexão com um projeto pedagógico mais amplo visando desenvolvimento. É preciso desburocratizar, disseminar e fortalecer novas práticas a partir de uma mudança de perspectiva, para que o jovem ingresse de maneira positiva no mundo do trabalho, já que a desarticulação limita ações entre sociedade civil e o governo”, acrescentou o professor Daniel.

Prática

Neste sentido, experiências práticas devem ser fortalecidas. Em um mundo profissional cada vez mais sob influência das novas tecnologias, a geração de oportunidades de estágio e aprendizagem deve ser estimulada e facilitada, assim como o aperfeiçoamento de políticas públicas. Para isso, também é interessante que se tenha conhecimento sobre os segmentos da economia com maior tendência de crescimento regionalmente.

“O jovem é mal informado e não conhece as possibilidades que ele tem, deixando passar oportunidades por não conhecer as suas potencialidades e os seus direitos. A educação não pode ser desconectada do mundo do trabalho. A mudança de patamar em termo de desenvolvimento passa, necessariamente, por uma integração”, defendeu o professor Wander Soares.