Atividade econômica cai 0,27%; inflação projetada atinge 9,77%

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A economia se ressente diante das dificuldades trazidas pela inflação. E o mercado financeiro eleva projeção do IPCA para 9,77%, na 32ª elevação consecutiva Foto: Freepik

A atividade econômica brasileira teve variação negativa em setembro deste ano, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (16) pelo Banco Central (BC).

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apresentou queda de 0,27% em setembro de 2021 em relação ao mês anterior, de acordo com os dados dessazonalizados (ajustados para o período), chegando a 138,56 pontos. Na comparação com setembro de 2020, houve crescimento de 1,52% (sem ajuste para o período, já que a comparação é entre meses iguais).

Acumulado

No terceiro trimestre, comparado com os três meses anteriores, houve queda 0,14%. Já na comparação com o período de julho a setembro do ano passado, IBC-Br apresentou crescimento de 3,91%. No ano, foi registrada alta de 5,88%. Em 12 meses encerrados em setembro, o indicador também ficou positivo, em 4,22%.

O índice é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica brasileira e ajuda o BC a tomar decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 7,75% ao ano. O IBC-Br incorpora informações sobre o nível de atividade dos três setores da economia: a indústria, o comércio e os serviços e a agropecuária, além do volume de impostos.

PIB negativo

Entretanto, o indicador de atividade oficial é o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No segundo trimestre deste ano, último dado divulgado pelo órgão, o PIB apresentou variação negativa de 0,1%. No primeiro semestre, o PIB registrou alta de 6,4% e em 12 meses, acumulou alta de 1,8%.

Inflação sobe para 9,77%

Já a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, subiu de 9,33% para 9,77% neste ano. É a 32ª elevação consecutiva da projeção. A estimativa está no Boletim Focus (16/11), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa das instituições para os principais indicadores econômicos. Para 2022, a estimativa de inflação ficou em 4,79%. Para 2023 e 2024, as previsões são de 3,32% e 3,09%, respectivamente.

Combustíveis e alimentos

Em outubro, puxada pelo aumento de preços de combustíveis e alimentos, a inflação acelerou 1,25%, a maior para o mês desde 2002, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o indicador acumula altas de 8,24% no ano e de 10,67% nos últimos 12 meses.

A previsão para 2021 está acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,25% e o superior de 5,25%. Para 2022 e 2023, as metas são 3,5% e 3,25%, respectivamente, com o mesmo intervalo de tolerância.