Varejo da Páscoa deve girar R$ 2,16 bi; preços sobem até 7%

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Preços da cesta típica de produtos sazonais registram a maior elevação em seis anos

A pequena valorização  do real viabilizou aumento da importação de chocolates, mas inflação elevada deverá aumentar o volume faturado em apenas 1,9%, nesta Páscoa. Custo da cesta típica deve avançar 7,0%, a maior alta em seis anos.

Vendas

As vendas do varejo voltadas para a Páscoa deverão totalizar R$ 2,16 bilhões em 2022, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Confirmada essa previsão, o volume de vendas apresentaria um crescimento de 1,9% ante a mesma data do ano passado, já descontada a inflação. Apesar da alta, o volume movimentado ainda se encontra 5,7% abaixo do alcançado antes do início da crise sanitária em 2019 (R$ 2,29 bilhões).

Por se concentrar basicamente na venda de produtos alimentícios, o desempenho do varejo recuou significativamente com a queda no fluxo de consumidores durante as duas primeiras ondas da pandemia, especialmente em 2020.

 Naquele ano, o varejo registrou o menor volume de vendas (R$ 1,67 bilhão) em uma década. Com o arrefecimento da pandemia e o restabelecimento da circulação de consumidores, o comércio conseguiu recuperar parcialmente o ritmo das vendas nos últimos dois anos.

Mais caro

A cesta de bens e serviços composta por oito itens revela que praticamente todos deverão estar mais caros que na Páscoa passada. Na média, para um IPCA-15 na casa de 10,5%, os itens relacionados a essa data deverão estar 7,0% mais caros que no mesmo período de 2021 - maior alta desde 2016 (+10,3%). Bolos e azeite de oliva apresentam uma tendência de variação de +15,1% e +12,6% nos últimos doze meses.

Importação

Um importante indicativo da expectativa do varejo para essa data costuma ser o volume de produtos típicos importados. De acordo com registros da Secretaria de Comércio Exterior apurados pela CNC, a quantidade importada de chocolates, por exemplo, neste ano (1,43 mil toneladas), avançou 8% em relação ao ano passado sem, no entanto, igualar as compras de 2019 (1,87 mil toneladas). Por sua vez, outro produto tipicamente importado nesta época do ano, o bacalhau, acusa recuo de 17% nas quantidades importadas frente a Páscoa de 2021.

Além da quase normalização do fluxo de consumidores nos últimos meses, a valorização do real também impactou a quantidade importada do principal produto na Páscoa.

A taxa de câmbio, que às vésperas da Páscoa de 2021 estava em 5,70 R$/US$, atualmente se encontra próxima aos 5,00 R$/US$ - um recuo de mais de 12%.
A queda nas importações de bacalhau, na contramão do aumento das quantidades importadas de produtos à base de chocolates, é um indício de que o varejo está apostando na melhor saída de produtos mais baratos a partir da aceleração dos índices gerais de preços.