Micropeça homenageia memória Frei Tito de Alencar

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A peça é uma homenagem à memória dos 75 anos de nascimento de Frei Tito de Alencar Lima, cearense, militante, dominicano, preso, torturado e banido de seu país na Ditadura Militar

“A paixão de Tito” (Versão Micropeça), solo do cearense Gabriel Castro Cavalcante com dramaturgia e encenação do mineiro Juarez Guimarães Dias, chegou a Fortaleza, com sessões no dia 18 de janeiro de 2020 (19h30 e 21h), na Casa da Esquina, sede do grupo Bagaceira de Teatro, situada à Rua João Lôbo Filho, 62, Bairro de Fátima. 

A peça é uma homenagem à memória dos 75 anos de nascimento de Frei Tito de Alencar Lima, cearense, militante, dominicano, preso, torturado e banido de seu país na Ditadura Militar, e realizada com a participação do público em cena, articulando performance e ritual. O solo propõe um cruzamento das trajetórias do artista, do frade e de Jesus, compartilhando com o público o vinho, o pão e a palavra desses cristãos, que reverberam de maneira iluminada e necessária nos tempos de hoje.

Estreia em agosto

A peça, que está em processo de criação para estreia em agosto de 2020, tem se apresentado em versão micropeça com duração de 30 minutos. O ator Gabriel Castro Cavalcante, cearense de Baturité e radicado em Minas Gerais há 19 anos, comemora 20 anos de teatro e comenta essa apresentação em sua terra natal e também de Frei Tito: “A Paixão de Tito diz respeito às minha raízes, uma bandeira muito hasteada pelo próprio Frei Tito, principalmente enquanto esteve banido do país... Pela primeira vez vou poder apresentar um trabalho meu no Ceará, viabilizada pela facilidade de se viajar com uma peça solo, portanto é a realização de um sonho voltar à terra natal e num espaço referência
que é a Casa da Esquina, sede do Grupo Bagaceira de Teatro, meus contemporâneos”.

Em processo

A dramaturgia de “A Paixão de Tito” parte de biografias e textos escritos por Frei Tito de Alencar Lima, além de canções, cartas, depoimentos em textos e áudios produzidos à época por ele, por seus companheiros de ordem e missão, dentre os quais Frei Betto, e por familiares. O solo é conduzido por Gabriel Castro Cavalcante, conterrâneo de Tito e com o qual se sente profundamente identificado na fé e na luta, e propõe um réquiem em homenagem à sua “paixão”.

O trabalho apresenta uma estrutura de peça-ritual, cruzando elementos de rituais religiosos numa perspectiva ecumênica, tendo o teatro e a performance, numa perspectiva antropológica, como linguagens condutoras. O público é convidado a participar dessa celebração-homenagem, que tem nos missais católicos e dos freis dominicanos a inspiração para a estrutura da dramaturgia. A proposta conjuga um teatro narrativo-performativo, em que os espectadores atuam no acontecimento cênico, recuperando sentidos etimológicos de comunidade e comunicação (fazer algo em comum).

Cenografia

A proposta cenográfica versa sobre um tapete que poderá ser montado em espaços tanto fechados quanto abertos (teatros, centros culturais, salas, salões de associações comunitárias, espaços de convivência etc), onde o público será disposto ao redor do mesmo, recuperando rituais ancestrais, incluindo o teatro de arena. Sobre o tapete, também estarão dispostos poucos objetos que serão utilizados pelo ator-performer como livros, água, vinho, pão e acessórios de figurinos.