CSP aposta em aço de alta tecnologia e vai estudar expansão

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Em 2019, a CSP entrou em mercados novos, como a Indonésia e produziu 2 milhões 918 mil toneladas de placas de aço, de acordo com Cláudio Bastos, CEO da siderúrgica cearense  Foto: Regina Carvalho

A Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) busca avançar estrategicamente em um nicho novo de mercado. Os aços especiais que a empresa produz trazem um diferencial de competitividade. De acordo com o CEO da CSP, Cláudio Bastos, a companhia tem uma capacidade técnica que está no “estado da arte” e consegue produzir aços que outras indústrias do setor não conseguem. São aços de alta tecnologia, de maior valor agregado e mais difíceis de fazer, explica.

O planejamento estratégico da siderúrgica cearense está voltado para aumentar a participação destes produtos mais especiais em seu portfólio. Ele foi o convidado desta quarta-feira (8), do almoço empresarial da Associação dos Jovens Empresários (AJE), realizado na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

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Os acionistas da CSP estão dispostos a estudar o potencial de expansão da usina, mas isso dependerá de viabilidade econômica do projeto Foto: Divulgação

Aço para automóveis

O executivo revela que a companhia concretizará neste ano a certificação para a indústria internacional automobilística, um setor que compra constantemente aços deste tipo e que enfrenta menos altos e baixos.

Outro segmento que também adquire aços especiais é o da indústria de gasodutos e de petróleo que exigem aços com resistência maior, menos sujeitos à corrosão, pois operam em condições mais severas. 

Em 2019, conforme Cláudio Bastos, a CSP cresceu muito neste nicho, com um aumento de cerca de 50% na participação desses produtos no portifólio, mas almeja chegar, em três anos, a uma fatia de 60% da produção da companhia serem de aços especiais, adianta.

Indonésia e China

A siderúrgica cearense atua em mais de 25 mercados, mas diversificou ainda mais os países a quem vende no ano passado, conquistando clientes na Indonésia e China. Ainda sobre os destinos para os quais a companhia exporta, o executivo lembra que existe uma concentração maior em México, Canadá, Estados Unidos, Europa, com Turquia e Áustria, mas há mercados novos aparecendo. Em 2019, mais de 83% da produção foram enviados ao exterior e devem continuam nesse patamar neste ano.

Expansão futura

Os acionistas da CSP estão dispostos a começar a estudar a expansão da empresa para os próximos anos. “Vamos iniciar um estudo sobre o potencial de expansão, mas não vai ser uma coisa para decisão de curto prazo. Primeiro tem que se estudar se há viabilidade econômica, pois se trata de um investimento muito alto”, pondera.

Produção menor em 2019

A produção da companhia cearense no ano passado foi de 2 milhões 918 mil toneladas, 7% abaixo, ficando em 93% da capacidade. Segundo explica Cláudio Bastos, o resultado também refletiu uma decisão da empresa. Em parte houve problema técnico, com paradas inesperadas, e depois resolveram mudar um pouco o mix, focando mais na produtividade que no volume, uma vez que o mercado estava ruim, com preços baixos. Em 2018, a empresa havia fechado em 97% da capacidade e os preços estavam melhores.

Ainda  assim, Bastos ressalta que o nível alcançado pela CSP no ano passado foi extraordinário, considerando o desempenho da indústria siderúrgica no Brasil, que enfrentou 30% de ociosidade.

Do ponto de vista operacional, o CEO da CSP afirma que 2019 foi muito positivo. “Conseguimos avançar no domínio do equipamento, na estabilização da operação, na melhoria dos índices de desempenho, mas o mercado bateu muito duro. O mercado internacional tava muito ruim, desaqueceu. Houve uma mudança forte no mercado americano, que foi o principal alavancador do nosso resultado em 2018”, comenta.

Perspectivas para 2020

Em 2020, de acordo com Bastos, já houve uma sinalização de melhora. “Os preços começaram a subir em janeiro e fevereiro, mas é preciso entender se isso se é um soluço ou uma tendência. Mas estamos mais otimistas para este ano do que em 2019. Se o mercado continuar com as sinalizações que tem apresentado, pois a gente vende com antecedência, é possível que o ano permita vender a produção inteira”, conclui.