Inflação de Fortaleza é 2ª maior do País em 2019; alta de 4,49%

carne
A carne pesou no computo da inflação em todas as regiões pesquisadas. Fortaleza também apresentou a maior inflação do Nordeste Foto: Freepik

A inflação de Fortaleza foi a segunda maior do País no acumulado do ano de 2019, com alta de 4,49%, acima da média do País, de 3,91%. A Capital cearense só registrou inflação menor, em todo o Brasil, que a verificada em Belém, que anotou 5,15% de pressão sobre os preços. Fortaleza lidera os aumentos de preços no Nordeste.

Impacto

O consumidor está sentindo a majoração dos produtos com maior força em Fortaleza. Além disso, a elevação dos preços da carne impactou em todas as 12 regiões pesquisadas pelo IBGE. 

O levantamento divulgado nesta sexta-feira (20) mostrou aceleração no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) no País, que variou 1,05% em dezembro, mostrando alta em relação à taxa de 0,14% registrada em novembro. Em Fortaleza, a pressão inflacionária foi de 0,90% em dezembro, ante 0,04% em novembro.

Em âmbito nacional, este é o maior resultado mensal desde junho de 2018, quando o índice foi de 1,11%, e o mais alto índice registrado em dezembro desde 2015, quando foi de 1,18%. Dessa forma, o IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado trimestralmente, fechou o ano de 2019 em 3,91%, acima dos 2,67% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em dezembro de 2018, a taxa foi de -0,16%.

Alimentação pesa

No País, a aceleração do grupo Alimentação e bebidas (2,59%) é explicada, principalmente, pelo aumento nos preços das carnes, que registraram alta de 17,71% em dezembro e contribuíram com o maior impacto individual no índice do mês (0,48 p.p.). Outros itens que compõem o grupamento da alimentação no domicílio (3,62%), como o feijão-carioca (20,38%) e as frutas (1,67%), também contribuíram para esse resultado.

No lado das quedas, destacam-se a batata-inglesa (-9,33%) e a cebola (-7,18%), com contribuições de -0,02 p.p. e -0,01 p.p., respectivamente. A alimentação fora do domicílio (0,79%) também acelerou na comparação com o mês anterior (0,12%), influenciada pelas altas observadas no lanche (1,09%) e na refeição (0,90%).

Lotéricas

Em Despesas pessoais (1,74%), o principal destaque foi o item jogos de azar (36,99%), que contribuiu com o segundo maior impacto individual no índice do mês (0,16 p.p.). A alta deve-se aos reajustes nos preços das apostas lotéricas, com vigência a partir do dia 10 de novembro.

Passagens aéreas

No grupo dos Transportes (0,90%), o maior impacto (0,07 p.p.) veio das passagens aéreas (15,63%), cujos preços já haviam subido 4,44% em novembro. A gasolina (1,49%) e o etanol (3,38%) também aceleraram na comparação com o mês anterior, quando apresentaram altas de 0,80% e 2,53%, respectivamente. Com isso, os combustíveis passaram de 1,07% em novembro para 1,76% no IPCA-15 de dezembro.

Ainda em Transportes, destaca-se no item ônibus interestadual (1,06%) o reajuste médio de 14,00% no valor das passagens em Salvador (5,52%), a partir de 5 de dezembro. Já no ônibus intermunicipal (0,04%), houve reajuste médio de 4,00% no valor das passagens em Belém (2,33%), com vigência a partir de novembro e apropriado no índice a partir do mês de dezembro.

Aluguel e condomínio

Em Habitação (0,25%), destacam-se as altas verificadas em aluguel residencial (0,50%) e condomínio (0,65%), ambos com variações acima das registradas no mês anterior (de 0,08% e 0,20%, respectivamente). Além disso, a energia elétrica (-0,12%) apresentou queda menos intensa que aquela observada no IPCA-15 de novembro (-1,51%). Vale ressaltar que, em dezembro, passou a vigorar a bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,343 para cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em novembro, estava em vigor a bandeira vermelha patamar 1, com acréscimo de R$ 4,169 a cada 100 quilowatts-hora. Em Porto Alegre (-2,75%), houve ainda redução de 6,00% nas tarifas de uma das concessionárias pesquisadas, com vigência a partir de 22 de novembro.

Ainda em Habitação, a queda observada no item gás encanado (-0,18%) decorre da redução de 0,60% nas tarifas praticadas no Rio de Janeiro (-0,38%), em vigor desde 1º de novembro. Já o resultado da taxa de água e esgoto (0,34%) é consequência do reajuste de 3,43% nas tarifas em Curitiba (3,32%), vigente desde 11 de novembro. Destaca-se, ainda, a alta no item gás de botijão (0,32%), após o reajuste de 4,00% no preço do botijão de gás de 13 kg, nas refinarias, a partir do dia 27 de novembro.

Nos Artigos de residência (-0,84%), a queda observada no mês foi influenciada pela redução nos preços dos itens de TV, som e informática (-2,09%) e mobiliário (-1,16%).