Informalidade é a maior desde 2016; desemprego cai

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Mesmo no segundo semestre, quando a atividade econômica dá alguns sinais de reação a informalidade está no maior nível da série histórica


Está ocorrendo o que já era previsto. A taxa de desemprego no País recuou novamente e ficou em 11,8% no trimestre encerrado em agosto, após marcar 12,3% no trimestre finalizado em maio.No entanto, o aumento na quantidade de pessoas trabalhando foi longe de atender à necessidade e acompanhado por recordes nos níveis de informalidade. 

O País ainda tem 12,6 milhões de pessoas em busca de trabalho. A queda no desemprego foi puxada pela entrada de 684 mil trabalhadores no mercado, totalizando 93,6 milhões de ocupados, o maior número desde 2012.

De acordo com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira, 27, pelo IBGE, 41,4% da população ocupada se encontra na informalidade, a maior proporção desde 2016, quando esse indicador passou a ser produzido. Dos 684 mil novos ocupados, 87,1% entraram no mercado de trabalho pela via informal.

Nesse grupo estão os trabalhadores sem carteira assinada (empregados do setor privado e domésticos), os sem CNPJ (empregadores e por conta própria) e os sem remuneração (auxiliam em trabalhos para a família).

Sem carteira

Os empregados sem carteira assinada totalizaram 11,8 milhões de pessoas e os por conta própria somaram 24,3 milhões de trabalhadores no trimestre encerrado em agosto, os maiores contingentes da série histórica, iniciada em 2012.

A pesquisa mostrou também que apenas 62,4% da população ocupada contribuiu para a previdência oficial no trimestre encerrado em agosto. “Há um movimento de queda desde o início do ano”, disse a analista da PNAD Contínua, Adriana Beringuy.

Renda estável 
Segundo o diretor adjunto de Pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo, nesta época do ano a expectativa é de aumento expressivo da população ocupada, com impacto na massa de rendimento, que está estável em seu patamar mais alto, de R$ 209,9 bilhões. Já o rendimento médio ficou em R$ 2.298, também com estabilidade.

“Esse aumento na ocupação não foi suficiente para aumentar a massa de rendimento, porque o emprego gerado foi voltado para postos de trabalho na área informal. E é essa massa de rendimento que movimenta o mercado de trabalho de forma virtuosa”, explicou Cimar.

Entre os setores, a ocupação cresceu em relação ao trimestre anterior na indústria (2,3%, ou mais 272 mil pessoas) e na construção (2,8%, ou mais 181 mil pessoas). Na construção, foi o primeiro aumento significativo após sete trimestres, enquanto a indústria cresceu pelo segundo trimestre consecutivo, acumulando 545 mil novos postos de trabalho nesse período.

“No caso da construção, é um grupamento que sofreu muito com a crise. Essas obras paradas demitiram muitos trabalhadores de ‘chão de fábrica’. A gente precisa aguardar mais edições da pesquisa para entender se isso sinaliza uma recuperação”, avaliou Cimar.