Movimento do Comércio avança 1,4% em agosto

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A movimentação nas lojas esteve maior em agosto último e o FGTS representará um fôlego para o varejo, mas deve ser passageiro Foto: Regina Carvalho

As concessões de crédito com recursos livres aos consumidores vêm se acelerando, o que parece estar por trás do crescimento do movimento do comércio em agosto.

O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, avançou 1,4% em agosto deste ano na comparação com julho, já descontados os efeitos sazonais, de acordo com dados apurados pela Boa Vista.

A alta se deu após a queda de 0,7% em julho,– sendo o segundo avanço mensal do ano. Na comparação com agosto de 2018, houve crescimento de 1,2%, enquanto, no acumulado em 12 meses, o indicador registrou ligeira aceleração e subiu 1,3%. 

Desemprego

O mercado de trabalho, contudo, segue bastante fragilizado, com o desemprego caindo basicamente por causa da expansão da informalidade e do trabalho por conta própria. Com isto, a renda cresce pouco, o que tem resultado em aumento do endividamento e do comprometimento da renda.

FGTS dá fôlego

Por outro lado, a liberação dos recursos do FGTS deve representar um alívio para os consumidores e um fôlego adicional para o varejo, que já dá indícios de que deve ter um segundo semestre com desempenho superior ao observado no primeiro. 

Setores


Na análise mensal, nota-se crescimento em todos os segmentos analisados. O segmento de “Móveis e Eletrodomésticos” apresentou alta de 1,9%, descontados os efeitos sazonais. Nos dados sem ajuste sazonal, o acumulado em 12 meses voltou para o terreno positivo (0,3%). A atividade de “Supermercados, Alimentos e Bebidas” registrou crescimento de 1,3% no mês na série dessazonalizada. Na série sem ajuste, a variação acumulada em 12 meses foi de 1,1%.

Já a categoria de “Tecidos, Vestuários e Calçados” cresceu 1,1% no mês, expurgados os efeitos sazonais. Nos dados acumulados em 12 meses houve alta de 3,6%. Por fim, o segmento de “Combustíveis e Lubrificantes” apresentou crescimento de 0,4% em agosto considerando dados dessazonalizados, enquanto, na série sem ajuste, a variação acumulada em 12 meses foi de 0,8%.

Ainda que o Indicador Movimento do Comércio siga oscilante (quedas mensais até maio, alta em junho, queda em julho e nova alta em agosto), já há sinais de consolidação de uma ligeira tendência de aceleração, que tende a ganhar força com os saques dos recursos do FGTS.
Após a alta de julho registrada na Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, o indicador da Boa Vista aponta para nova e significativa alta das vendas em agosto. 

Ainda assim, é preciso ressaltar que os efeitos dos recursos do FGTS rapidamente se dissiparão – assim como em 2017 – sem uma melhora substancial da dinâmica do mercado de trabalho e do comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas.