40% usam cheque especial todo mês, aponta SPC

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É importante sempre lembrar que o cheque especial tem os juros mais caros do mercado e que não é uma renda extra 

É como uma bola de neve e também preocupante, mas 40% dos usuários de cheque especial recorrem ao limite extra todos os meses. Esses correntistas assumem a modalidade de crédito como uma renda extra e assumem o risco de pagar os juros mais caros do mercado. Importante lembrar que dinheiro também se paga para usar o que não é renda própria.

De acordo com o SPC Brasil e a CNDL, que fizeram o levantamento, 20% dos brasileiros utilizaram cheque especial no último ano. Entretanto, a maioria não fez pedido de forma espontânea e 25% usaram dinheiro para pagar contas ou lidar com imprevistos. Maioria dos empréstimos pessoais ainda é feito em bancos tradicionais e 52% consideram os juros abusivos.

A pesquisa feita em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e SPC revela que a maior parte (40%) dos usuários do cheque especial tem o hábito de utilizar o saldo extra todos os meses e ainda que esse comportamento é mais comum levando em conta as pessoas da classe C, D e E (48%). Outros 30% de usuários recorreram ao cheque especial a cada dois ou três meses e 27% pelo menos três vezes no ano.

O cheque especial é uma linha de crédito pré-aprovada, oferecida pelos bancos e, geralmente, utilizada de forma automática pelo cliente quando não há saldo suficiente para cobrir os débitos em sua conta bancária. Em média, os juros cobrados são de 320% ao ano, superiores inclusive ao cartão de crédito rotativo, segundo dados oficiais do Banco Central.

Para o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, por causa dos juros elevados, o cheque especial só deve ser utilizado em ocasiões emergenciais e durante períodos curtos. “É um erro incorporar o limite do cheque especial como parte da renda. Essa ilusão pode levar o consumidor a gastar mais do que o orçamento permite e ver sua dívida se transformar em uma bola de neve muito difícil de ser paga”, alerta Vignoli.
 
68% dos usuários de cheque especial não solicitaram crédito ao banco; 25% usaram limite para pagar contas ou lidar com imprevistos

Às cegas

Outro dado que inspira preocupação é que 38% dos entrevistados não analisaram as tarifas e juros envolvidos, principalmente, porque precisavam do valor, independentemente dos custos (25%), não perceberam que entraram no cheque especial (7%) ou por falta de interesse (6%). Parte significativa (43%) desconhece o valor dos juros e taxas que os bancos cobram no cheque especial e mais de um terço (34%) ficou com o ‘nome sujo’ por não honrar com o pagamento.

Para Vignoli, o mau uso do cheque especial pode iludir o consumidor, que acaba pagando caro pela facilidade, praticidade e disponibilidade do recurso. “O consumidor tem de ter clareza de que o dinheiro incorporado ao seu saldo bancário não é seu. Se usar, terá de devolver, e pagando juros altíssimos, afinal, se trata de um tipo de empréstimo. Muitas vezes, as pessoas acabam sendo impulsivas ou ingênuas em aceitarem uma oferta sem analisar suas condições de pagamento”, alerta o educador do SPC Brasil.