Fortaleza lidera economia do NE; falta reduzir disparidades

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Fortaleza ultrapassou Salvador como a cidade com maior Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste pela primeira vez, em números de 2018 

Fortaleza mostra sua pujança e competitividade, sobretudo para o comércio, serviços e turismo, ao ostentar a liderança na economia nordestina, superando Salvador.

Um feito histórico, sem dúvida. A cidade, por outro lado, vê-se em dívida maior com cidadãos fortalezenses à margem dessa força. Olhar mais indicadores e buscar reduzir as disparidades entre os filhos da Capital cearense é um desafio ainda maior, para além do ranking, que traz números de 2018. Todos sabem que 2020 foi um ano desafiador que exacerbou as desigualdades. 

Avanço

O levantamento é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foi divulgado nesta quarta-feira (16), mostrando que Fortaleza ultrapassou Salvador como a cidade com maior Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste.  Assim, a Capital cearense superou pela primeira vez a Capital baiana desde 2002, início da série histórica da pesquisa do IBGE.

Cifras

Em 2018 Fortaleza gerou R$ 67 bilhões em riquezas, enquanto Salvador registrou R$ 63,5 bilhões. Recife ficou em terceiro ao gerar R$ 52,4 bilhões no mesmo período. No ranking nacional os 10 primeiros são São Paulo, que lidera com R$ 714,6 bi, seguido do Rio de Janeiro (R$ 364 bi), depois Brasília (R$ 254 bi), Belo Horizonte (R$ 91,9 bi), Curitiba (R$ 87,1 bi), Manaus (R$ 78,1 bi), Porto Alegre (R$ 77,1 bi) e Osasco (R$ 76,6 bi). Fortaleza ocupa a 9ª colocação, com cerca de 1% de participação do PIB no Brasil, e Salvador completa a lista com o 10º lugar.

“A capital cearense reúne não só os melhores centros de atacado e varejo, mas uma rede de prestação de serviço da melhor qualidade e bastante competitiva, do ponto de vista regional – que se inserem também o turismo e a economia criativa. Particularmente eu sempre advoguei que Fortaleza fosse um grande portal de serviços da Região Nordeste pela expansão do crescimento”, apontou o secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Maia Júnior.

“Essa colocação hoje vai exigir muito dos nossos futuros administradores da cidade, para que tenham um plano não só para sustentar esse resultado, como para expandir esses números e criar uma nova força econômica com muita musculatura para predominar essa liderança. É um resultado positivo para se trabalhar mais, se qualificar e se expandir com novas alternativas, e assim consolidar o PIB não apenas de Fortaleza, mas também impulsionar o PIB do Ceará”, ressaltou Maia Júnior.

Municípios cearenses 

O Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgaram, na manhã desta quarta-feira (16), o trabalho Produto Interno Bruto Municipal (Nº 04 – Dezembro/2020) – Análise dos PIB dos Municípios Cearenses 2002, 2010, 2017, 2018. O estudo aponta uma positiva desconcentração da renda gerada no estado entre seus municípios.

Os dez municípios com maior participação no PIB do Ceará, em 2018, foram Fortaleza, Maracanaú, Caucaia, Juazeiro do Norte, Sobral, São Gonçalo do Amarante, Eusébio, Aquiraz, Horizonte e Itapipoca. Maracanaú apresentou um aumento em sua participação no PIB estadual, passando de 5,82%, em 2002, para 6,71%, em 2018.

Os municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia registraram ganhos de participação no PIB do Ceará durante o período de análise, passando de 0,26% e 2,91%, em 2002, para 2,71% e 3,26% em 2018, respectivamente. Os ganhos de participação desses municípios decorreram, em grande parte, do Complexo Industrial e Portuário do Pecém , situado entre os dois municípios, que nos anos recentes vem atraindo cada vez mais novas indústrias, em especial a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), instalada em São Gonçalo do Amarante.

Quanto ao PIB Per Capita, os dez municípios cearenses que apresentaram maior índice em 2018, foram: São Gonçalo do Amarante (R$ 87.086,00), Eusébio (R$ 46.830,00), Maracanaú (R$ 46.241,00), Horizonte (R$ 25.783,00), Fortaleza (R$ 25.357,00), Aquiraz (R$ 24.630,00), Penaforte (R$ 23.504,00), Sobral (R$ 23.105,00), Quixeré (R$ 19.155,00) e Pereiro (R$ 18.932,00).