Ceará acumula perdas de R$ 5,35 bilhões no turismo em 2020

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Mesmo com reação em novembro, o turismo Cearense não se recuperou dos prejuízos decorrentes da situação de pandemia, a exemplo do restante do País Foto: Celso Oliveira

O Ceará deixou de faturar R$ 5,35 bilhões na atividade turística. O setor está na lanterna do processo de recuperação da economia. Em todo o País, as perdas acumuladas totalizam mais de R$ 245 bilhões e o turismo deve encolher inéditos 39% em 2020, aponta a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

No Ceará, apesar do crescimento de 11,2% em novembro frente ao mês anterior, mostrando uma reação, quando comparado a outubro de 2019, o índice de volume de atividades turísticas no Ceará caiu 35,2%, de acordo com o IBGE.

Capacidade aquém

As perdas ante o período anterior à Covid-19, seguem se acumulando, embora com menor Atualmente, o Turismo brasileiro opera com 39% da sua capacidade mensal de geração de receitas. 

A estimativa da CNC cruza informações providas pelas pesquisas conjunturais e estruturais do IBGE, além de séries históricas referentes aos fluxos de passageiros e aeronaves nos dezesseis principais aeroportos do País. Os Estados de São Paulo (R$ 88,3 bilhões) e do Rio de Janeiro (R$ 36,8 bilhões), principais focos da Covid-19 no Brasil, concentram mais da metade (51%) do prejuízo apurado pelo setor em nível nacional. 

Emprego

O contraste do Turismo com os demais setores da economia torna-se igualmente evidente através do nível de ocupação formal. Segundo as estatísticas mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apurado mensalmente pela Secretaria do Trabalho, de março a outubro deste ano, foram eliminados 469,4 mil postos formais de trabalho no setor – o equivalente a um encolhimento de 12,9% da força de trabalho do setor. Na média de todos os setores da economia, a variação relativa no estoque de pessoas formalmente ocupadas cedeu 0,8%. 

Cortes

Detalhadamente, no Turismo, sofreram os maiores cortes relativos os segmentos de serviços culturais (-45% ou -8,7 mil postos), agências de viagens (-28% ou -19,1 mil) e de hotéis, pousadas e similares (-21% ou -72,1 mil). 

Considerando a lenta reação por parte do setor aos estímulos para a retomada do nível de atividade econômica, a CNC revisou de -6,4% para -7,6% sua previsão para a variação do volume de receitas dos serviços ao fim de 2020. Uma vez confirmada esta previsão, os serviços amargarão a maior queda anual no volume de receitas da série histórica da PMS.

O pior ano até então foi 2016 (-5,0%). Para o Turismo, a tendência é de que o faturamento real do setor encolha 39,1% neste ano, com perspectiva de volta ao nível pré-pandemia no segundo trimestre de 2023.