Oferta de vagas pro Natal é a menor em 5 anos, CE terá 2,7 mil

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Nove em cada dez vagas criadas deverão ser preenchidas pelas cinco ocupações mais demandadas nesta época do ano, como: vendedores, operadores de caixa, atendentes, repositores de mercadorias e embaladores de produtos Foto: Freepik

O emprego vive uma crise sem precedentes e o mercado se adapta. Impulsionado pelo e-commerce, mas ainda prejudicado pelas condições de consumo, varejo deverá criar 70,7 mil vagas temporárias para as vendas de fim de ano – menor contingente desde 2015. No Ceará, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima a contratação de 2,7 mil trabalhadores, enquanto o Sine/IDT prevê um pouco mais, cerca de 3 mil.

 

Situação generalizada

 

Uma vez confirmada a previsão da CNC, a quantidade de postos de trabalho apresentaria recuo de 19,7% ante os 88,0 mil postos de trabalho temporário criados no ano passado. Todas as unidades da Federação deverão apresentar menos oportunidades de empregos temporários no comércio varejista neste final ano. São Paulo (17,90 mil), Minas Gerais (8,33 mil), Rio de Janeiro (6,92 mil) e Rio Grande do Sul (6,02 mil) concentrarão mais da metade (55%) das vagas a
serem criadas.

 

Em baixa

 

Até 2014, a temporada de oferta de vagas no varejo costumava ocorrer entre os meses de setembro e novembro. Entretanto, a partir da recessão econômica de 2015/16 e da lentidão na recuperação do consumo desde então, o setor passou a concentrar cada vez mais as contratações de trabalhadores temporários nos meses de novembro e dezembro. Entre 2009 e 2014, 21% das vagas eram preenchidas até outubro. Contudo, nos últimos cinco anos, esse percentual passou para 13%.

 

Onde serão as vagas

 

Nove em cada dez vagas criadas deverão ser preenchidas pelas cinco ocupações mais demandadas nesta época do ano, tais como: vendedores (34.659), operadores de caixa (12.149), atendentes (8.276), repositores de mercadorias (6.979) e embaladores de produtos (2.954).  O avanço significativo do varejo eletrônico deverá, no entanto, reduzir a quantidade de vagas voltadas para o consumo presencial, em especial o número de vendedores ante 2019 (-25%). Nessas ocupações, os maiores salários médios deverão ser pagos aos contratados para os cargos de operadores de caixa (R$ 2.272,78) e repositores de mercadorias (R$ 1.576,24).

 

Embora as lojas de vestuário e calçados respondam pela maior parte das vagas voltadas para o Natal, a oferta de 30,7 mil vagas neste segmento em 2020 deverá equivaler a pouco mais da metade dos 59,2 mil postos criados no ano passado, na medida em que esse ramo do varejo vem apresentando maiores dificuldades em reaver o nível de vendas anterior ao início da pandemia de Covid-19. Lojas de artigos de uso pessoal e doméstico (13,7 mil) e hiper e supermercados (13,4 mil), somadas ao ramo de vestuário, deverão responder por cerca de 82% das vagas oferecidas pelo varejo.


Remuneração
O salário médio de admissão deverá alcançar R$ 1.319, avançando, portanto, 4,6% em termos nominais, na comparação com o mesmo período do ano passado. O maior salário de admissão deverá ser pago pelas lojas especializadas na venda de produtos de informática e comunicação (R$ 1.618), seguidas pelo ramo de artigos farmacêuticos, perfumarias e cosméticos (R$ 1.602). Contudo, esses segmentos deverão responder por apenas 7% das vagas totais a serem criadas.
 

Menos efetivação

Por fim, a ainda elevada incerteza quanto à capacidade da economia e do consumo em sustentar o ritmo de recuperação nos próximos meses deverá fazer com que a taxa de efetivação dos trabalhadores temporários após o Natal seja a menor dos últimos quatro anos – cenário distinto daquele observado até 2014 quando, em média, 30% dos trabalhadores temporários contratados costumavam ser efetivados.