Pessimismo sobre economia ainda prevalece entre analistas do Ceará

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O economista e professor Ricardo Eleutério Rocha é o analista econômico da pesquisa que levanta as expectativas de 110 profissionais de variados segmentos

Há uma estabilidade em relação ao sentimento de pessimismo na avaliação de indicadores econômicos colhida entre 110 analistas cearenses, ao comparar a situação nos meses de setembro e outubro com o bimestre anterior. 

O levantamento do chamado Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE)  é realizado pela Fecomércio-CE em parceria com o Conselho Regional de Economia (Corecon-CE). O economista e professor Ricardo Eleutério Rocha é o analista econômico da pesquisa. 

Indicadores

A pesquisa pontua de zero a 200 pontos as variáveis analisadas. Abaixo de 100 pontos configura-se uma situação de pessimismo e acima desse valor, otimismo.

O número de variáveis percebidas com pessimismo foi o mesmo da pesquisa anterior, seis: nível de emprego (98,0 pontos); taxa de juros (88,1 pontos); taxa de câmbio (77,2 pontos); gastos públicos (51,5 pontos); taxa de inflação (51,0 pontos) e salários reais (42,6 pontos).

Apenas duas variáveis foram consideradas com otimismo: cenário internacional (130,7 pontos) e oferta de crédito (127,7 pontos). A evolução do PIB (100,0 pontos) apresentou neutralidade. A pesquisa pontua de zero a 200 pontos as variáveis analisadas. Abaixo de 100 pontos configura-se uma situação de pessimismo e acima desse valor, otimismo. 

Presente e futuro

O levantamento também aponta que os índices, de percepção geral (85,2 pontos) e de percepção presente (68,8 pontos), registraram pequena redução no pessimismo enquanto o índice de percepção futura (101,7 pontos) entrou na zona do otimismo, conforme a percepção dos analistas consultados em relação ao quadro econômico nacional e internacional. Neste sentido, os resultados da pesquisa refletem as recentes mudanças na dinâmica econômica nacional e internacional decorrentes da pandemia do novo Coronavírus.

Conforme a metodologia, cada uma das variáveis analisadas gera três índices: de percepção presente, futura e de expectativa geral. Considerando a soma das variáveis, o índice de percepção geral passou de 81,7 pontos para 85,2 pontos, uma redução de 4,2% no pessimismo em relação ao levantamento anterior.

Tendência melhor

Sobre o comportamento futuro das variáveis, a pesquisa apresenta otimismo, embora reduzido, com o índice atingindo 101,7 pontos. Além disso, vale destacar que a percepção sobre o desempenho presente também apresentou queda no pessimismo, de 4,0%, alcançando 68,8 pontos.

Vale salientar que as expectativas movem os agentes econômicos impactando, positivamente ou negativamente, o comportamento das diversas variáveis econômicas como consumo, investimento, poupança, taxa de juros, dentre outras. Ao mesmo tempo, a performance, positiva ou negativa das variáveis, índices e indicadores econômicos interfere na percepção dos diversos agentes econômicos. Assim, as expectativas são a um só tempo causa e consequência do comportamento econômico.

Os especialistas em economia ouvidos são dos mais diversos setores da economia cearense: indústria, agricultura, setor público, mercado financeiro, comércio e serviços. Economistas, empresários, consultores, executivos de finanças, professores universitários, pesquisadores, analistas e dirigentes de entidades diversas contribuíram com suas percepções.