Restaurantes do Ceará amargam faturamento 57% menor

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No Ceará, 12% dos restaurantes estão operando apenas com delivery e 53% das empresas trabalhavam em agosto com menos da metade dos funcionários antes de a reabertura ser permitida

A situação de bares e restaurantes, um dos setores intensivos de mão de obra, é preocupante e incerta para muitas casas. No Ceará, 12% estão operando apenas com delivery e 57% registram um faturamento abaixo do esperado.

No Ceará, apenas 38% afirmam ter conseguido manter ou aumentar o ticket médio, em relação ao período pré-crise. Além disso,  55% dizem que com  o faturamento atual o balanço no próximo mês será negativo. Destes, 39% preveem levar seis meses para reequilibrar o caixa.

Empregos 

No momento em que responderam a pesquisa, 53% das empresas cearenses trabalhavam com menos da metade dos funcionários antes de a reabertura ser permitida; e 63% não pretendem contratar no momento, mesmo com a volta das atividades. 

Dentre os estabelecimentos cearenses 80% tentaram empréstimo. Destes, 50% não conseguiram, e 21% dos que tiveram empréstimo negado não receberam justificativa. 

No País

A maioria dos bares e restaurantes do Brasil reabriu, mas a pesquisa nacional da Abrasel indica que os estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar que já estão operando registram faturamento abaixo do esperado. O levantamento da Abrasel  foi realizado no fim de agosto e contou com quase 1.500 respostas de empresários de todo o país. 

Pelo país, 73% dos estabelecimentos pesquisados já abriram as portas. Mas o presidente da Abrasel Nacional, Paulo Solmucci, alerta que "muitos, no entanto, fecharam de modo definitivo, por isso nem responderam à pesquisa. Outros só estão abrindo agora, após seis meses, com enormes restrições. E o faturamento está abaixo do esperado para a grande maioria”, diz.

Ainda de acordo com a pesquisa, os bares e restaurantes estão trabalhando em média com menos de 50% dos funcionários que tinham antes da crise. E 64% dos entrevistados dizem que não irão recontratar imediatamente. Não é para menos: para 71% dos entrevistados o faturamento está abaixo da expectativa. 

Financiamento 

“Bares e restaurantes foram os mais atingidos pela crise, em todos os aspectos, tendo pago a conta de modo desproporcional, por causa do fechamento precipitado em alguns lugares e extenso demais em outros. O setor é o que mais emprega no Brasil. Precisamos de ajuda específica para que os empreendimentos possam sobreviver e voltar a contratar”, diz Solmucci. 

A questão dos empréstimos é central para a sobrevivência das empresas, e a pesquisa aponta isto. No Brasil. quatro em cada cinco empresas (78%) tentaram empréstimo de março para cá. E pouco mais da metade destes (57%) conseguiu acessar alguma linha de crédito. A maioria obteve o empréstimo pelo Pronampe (56%), quase sempre associado com alguma outra linha disponível. Dos que tiveram o empréstimo negado (43%), são 21% os que não receberam nem mesmo uma justificativa do banco para a falta de crédito. A pesquisa nacional da Abrasel foi realizada de 18 a 20 de agosto em todas as regiões do País.