PIB do CE cresce 6,71% em junho; recuo de 4,86% no semestre

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O isolamento social e restrições das atividades adotadas como forma de barrar o avanço da Covid19 refletiram no desempenho da indústria, do comércio e serviços de forma disseminada no Estado

A economia do Ceará aponta crescimento de 6,71% em junho ante maio, conseguindo mostrar reação frente ao cenário desfavorável da pandemia de Covid19. O dado considera o indicador dessazonalizado (ajustado para o período),  divulgado pelo Banco Central (BC). Entretanto, o primeiro semestre marca uma queda de 4,86% no PIB cearense, conforme o observado. Em 12 meses, a retração sugere um impacto menor, de 1,32%.

Impactos

O Boletim Regional do Banco Central  aponta que, a partir da segunda metade de março, a pandemia repercutiu no nível de atividade do Estado do primeiro trimestre de 2020. Dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) já mostravam que o PIB do Ceará recuou 0,5% no período, comparativamente a igual trimestre de 2019, com expansão de 0,7% na agropecuária e retrações de 0,4% nos serviços e de 0,8% na indústria.

Efeito pandemia

Os efeitos relacionados à pandemia da Covid-19 interromperam o processo de crescimento da economia causando reduções expressivas nos indicadores macroeconômicos. O IBCR-CE recuou 12,1% no trimestre finalizado em maio (-8,0% no indicador do Nordeste). O isolamento social e restrições das atividades adotadas como forma de barrar o avanço da doença, desde março, refletiram no desempenho da indústria, do comércio e do setor de serviços de forma disseminada no Estado.

Em frequência mensal, o IBCR-CE manteve-se praticamente estável em maio (0,5%), refletindo, especialmente, o desempenho do setor primário  (alta de 61,4% na safra de grãos) e a recuperação dos indicadores de comércio, em ambiente ainda adverso na indústria e nos serviços.

As vendas do comércio ampliado tiveram alta de 8,4% em maio ante abril, de acordo com dados dessazonalizados da PMC divulgados pelo IBGE, com retração de 26,7% no trimestre encerrado em maio; enquanto o volume de prestação de serviços não financeiros registrou queda de 1,9% e retração de 20,3% no trimestre, nas mesmas bases de comparação, de acordo com dados da PMS do IBGE.

Compras no débito

Dados mais recentes sugerem início do processo de acomodação dos efeitos da atual pandemia sobre a atividade econômica.  Os valores das vendas efetuadas com cartão de débito registraram alta de 30,1% nas duas semanas encerradas em 13 de julho em relação às efetuadas até 15 de junho, de acordo com dados da CIP/SLC.

Os setores de supermercados (8,6%) e farmácias (8,0%), beneficiados no início da pandemia, retomaram resultados positivos, após retrações ocorridas entre maio e junho. Dentre os demais setores, destaque na comercialização de vestuário e calçados (90,5%) e restaurantes (59,3%).

Indústria

O faturamento real da indústria de transformação cearense decresceu 46,2% no trimestre encerrado em maio, em relação a igual intervalo de 2019, de acordo com o Núcleo de Economia e Estratégia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Na mesma base de comparação, houve redução no pessoal empregado (13,6%), nas horas trabalhadas (43,7%) e na remuneração real (19,1%). A utilização da capacidade instalada média atingiu 59,4% no período ante 76,2% no terminado em maio de 2019.

Emprego formal em baixa

No mercado de trabalho formal, foram eliminados 36,2 mil empregos no trimestre encerrado em maio no Ceará. Dados da Pnad Contínua trimestral do IBGE, dessazonalizados pelo Banco Central, apontam redução de 1,3% na população ocupada e de 0,8% na força de trabalho no primeiro trimestre de 2020 em relação ao anterior, repercutindo em aumento de 0,4 p.p. na taxa de desocupação. Informações mais recentes do IBGE, sugerem continuidade do ajuste do mercado de trabalho em junho, com retração de 1,7% dos ocupados e aumento de 2,4% da força de trabalho comparativamente a maio.