Endividamento é recorde e 12% não têm como pagar contas

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O percentual de famílias com dívidas no País aumentou em julho, renovando o recorde histórico,
com destaque ao endividamento das famílias com renda até 10 salários Foto: Freepik

O percentual de famílias com dívidas no País aumentou em julho, renovando o recorde histórico, com destaque ao endividamento das famílias com renda até 10 salários. Além disso, a parcela das famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e, que portanto, permaneceriam inadimplentes também subiu na comparação mensal, passando de 11,6% em junho para 12,0% do total de famílias em julho, a maior proporção desde novembro de 2012. O indicador havia alcançado 9,6% em julho de 2019.
 

Inadimplência

Os indicadores de inadimplência aceleraram neste mês, em que cresceu a proporção das famílias com contas em atraso e das que afirmam não ter condições de pagar as contas já atrasadas, tanto na comparação com junho quanto em relação a julho de 2019.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado,  empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa) alcançou 67,4% em julho de 2020, a maior proporção da série histórica, aumento de 0,3 ponto percentual em relação aos 67,1%, observados em junho, e de 3,3 pontos percentuais comparativamente aos 64,1% de julho de 2019.

Em atraso

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atrasos aumentou de 25,4% em junho para 26,3% em julho, atingindo a maior proporção desde setembro de 2017. Em comparação a julho de 2019, o percentual cresceu 2,4 pontos percentuais, quando as famílias com dívidas em atraso representaram 23,9% do total.

Já o tempo médio de atraso na quitação das dívidas das famílias inadimplentes foi de 61 dias em julho – superior aos 60,7 dias apurados em junho, mas abaixo da média, deste ano, de 62,3 dias. Diminuiu na margem o percentual de famílias com atrasos até 30 dias (de 24,7% para 23,3%), aumentou para atrasos entre 30 e 90 dias (de 34,6% para 36,8%) e reduziu para atrasos acima de 90 dias (de 39,3% para 38,3%).

Cartão na frente

O cartão de crédito segue em primeiro lugar, nos principais tipos de dívida, por 76,2% das famílias endividadas, seguido por carnês, para 17,6%, e por financiamento de veículos, para 11,3%. Destaca-se, porém, que a proporção de dívidas com cartões tem sido reduzida, inclusive durante a pandemia, em que ganharam espaço na composição do endividamento nos últimos meses as dívidas com crédito consignado, crédito pessoal, carnês e as modalidades de financiamento.