Comércio cai quase 32% em abril, maior retração em 20 anos

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Resultados refletem as medidas de distanciamento social para combater a crise sanitária. Lojas de portas fechadas viram seus estoques aumentarem e a demanda por produtos diminuir

E o problema se aprofunda. As restrições de mobilidade e o isolamento social impuseram ao varejo o pior resultado em duas décadas. Dados do Indicador de Atividade do Comércio apurado pela Serasa Experian mostram que as vendas no varejo apresentaram um recuo expressivo de -31,8% em abril deste ano na comparação com igual período de 2019.

Trata-se da queda mais intensa desde janeiro de 2001, início da série histórica. A última vez que o comércio havia sentido um tombo tão expressivo havia sido em janeiro de 2002, quando houve uma queda de 16,5%.

Piora

A comparação mensal do indicador, isto é, entre março e abril deste ano, também mostra uma piora no volume de vendas, com queda de 19,4%.  A retração se sucede a uma outra queda que fora observada na comparação de março com fevereiro (-16,2%), o que demonstra uma intensificação do cenário desfavorável para o comércio. Em 2020, o indicador já acumula resultado negativo de -10,1% frente os quatro primeiros meses do ano passado.

Para o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, os resultados refletem as medidas de distanciamento social adotadas para combater a crise sanitária. “Com estabelecimentos comerciais de portas fechadas, lojistas viram seus estoques aumentarem e a demanda por produtos diminuir. Esse é um momento em que comerciantes precisam inovar para manter uma operação mais enxuta e ao mesmo tempo funcional. A internet e os serviços de entrega são uma solução criativa, mas ainda insuficientes para reverter prejuízos, pois não funcionam para qualquer tipo de negócio”, explica Rabi.

Setores sofrem

De acordo com o indicador, segmentos mais dependentes do consumo via crédito sofreram os resultados mais negativos em abril. O destaque ficou com o setor de móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e informática, que puxaram a queda do indicador com um recuo expressivo de -39,9% na comparação com o ano passado. Estabelecimentos que comercializam tecidos, vestuário, calçados e acessórios aparecem em seguida com uma queda de -39,6%. O ramo de veículos, motos e peças  (-33,1%) e o de material de construção (-32,1%), completam o ranking.

Os setores que apresentaram quedas menos intensas são ligados a produtos de primeira necessidade, como supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (-24,3%) e combustíveis e lubrificantes (-19,3%).