Negociação é saída para 35% que desejam limpar o nome

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Propor um acordo é o primeiro passo para tentar zerar a dívida 

Entre os consumidores inadimplentes que pretendem regularizar sua situação pelos próximos três meses, 35% querem tentar um acordo com o credor para parcelar o valor do débito e limpar o nome. No total, 55% dos consumidores com contas atrasadas acreditam que terão condições de regularizar as dívidas, sendo que 35% pretendem pagar integralmente e 16% parcialmente. Por outro lado, 45% dos inadimplentes não se veem em condições financeiras de quitar suas dívidas em um horizonte de três meses.

A situação é difícil e 75% dos entrevistados comprometeriam o pagamento de contas básicas para zerar as dívidas. Somente 21% garantem ter uma mais situação confortável diante desse cenário, uma vez que teriam que usar seus rendimentos quitar o débito.

Na avaliação dos entrevistados, os principais empecilhos para quitar as dívidas em atraso e colocar a vida financeira em ordem é não saber de onde tirar dinheiro para pagar as dívidas (28%), o fato de estarem desempregados (23%) e a queda na renda (20%). Para 58%, dívidas atrasadas superam metade da renda e o aluguel e plano de saúde são contas mais priorizadas

Não têm dinheiro

Segundo pesquisa do SPC Brasil, em cada dez inadimplentes, seis (58%) possuem dívidas em atraso que superam ao menos metade dos seus rendimentos mensais e para 23%, as dívidas igualam ou extrapolam o seu salário.

Na avaliação do educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, é importante analisar a dívida e as próprias condições financeiras antes de propor um acordo. “A primeira coisa a fazer é traçar um diagnóstico de receitas e despesas. O segundo passo é cortar todos os gastos desnecessários, dando atenção às dívidas com juros mais pesados, como cheque especial ou cartão de crédito. Renegociar com o credor é uma opção que vale a pena tentar. Outra alternativa é trocar a dívida por uma linha de crédito mais barata ou tentar a portabilidade em outro banco. De qualquer maneira, o consumidor deve estar preparado, tendo em mente o quanto deve, já considerando os juros, e quanto ele consegue pagar por mês para sair dessa situação”, orienta Vignoli.
 
De onde vem o atraso

Os empréstimos em bancos ou financeiras (69%), os crediários em lojas (68%) e as faturas atrasadas de cartão de crédito (67%) despontam como os tipos de contas que mais deixaram os inadimplentes com o ‘nome sujo’. Há ainda 52% de pessoas que ficaram nessa situação após entrarem no cheque-especial ou por atrasarem o pagamento do financiamento de automóvel.

A pesquisa investigou também os compromissos que estão em atraso, mas que ainda não geraram uma negativação do CPF. Nesse caso, ganham destaque os empréstimos com amigos e parentes (33%) e as mensalidades escolares (26%).

Para quem ficou inadimplente por causa do mau uso do cartão de crédito ou do crediário, os itens mais adquiridos foram roupas, calçados e acessórios (45%), gastos em supermercados (25%), aquisição de eletrodomésticos (18%), eletrônicos (17%) e smartphones (17%).

O levantamento demonstra que o endividamento costuma ser um processo gradativo, em que o descontrole financeiro vai produzindo efeitos cumulativos no tempo. Entre as contas de maior tempo médio de atraso, o destaque fica com os empréstimos em bancos e financeiras, que estão atrasadas, em média, há 23 meses. Depois aparecem cheque especial (22 meses sem pagar), crediário em lojas (21 meses em atraso) e faturas do cartão de crédito (20 meses em aberto).