Crédito imobiliário terá juro a partir de 2,95% mais IPCA

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Atuaomente, a linha de financiamento praticada traz correção de TR + 9,75% do valor financiado

Como já estava sendo aguardado, o governo federal anunciou nesta terça-feira (20), uma nova linha de financiamento habitacional na Caixa Econômica Federal, que vai operar contratos habitacionais corrigidos pela inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mais uma taxa fixa.

A nova linha, baseada no IPCA, trará taxas reduzidas e utilizará o IPCA no lugar da Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central. Assim a menor correção seria com juro a partir de 2,95% mais o IPCA. Apesar da inflação controlada, analistas consideram que a operação envolve mais risco.

A nova linha traz uma taxa de 4,95% do valor financiado + correção do IPCA. A porcentagem pode chegar a 2,95% do valor financiado para quem tem as melhores relações com o banco (ter conta no banco e apresentar baixo risco de inadimplência, por exemplo). Os valores serão corrigidos mensalmente, prestação a prestação, conforme o IPCA mais recente.

Já a linha de financiamento praticada atualmente traz uma correção de TR + 9,75% do valor financiado. Essa porcentagem pode cair até 8,5%, sendo 8,5% para clientes com boas relações com o banco.

O governo considera que o valor da prestação do financiamento imobiliário poderá ser reduzido até pela metade. Caso o cliente não queira financiar com base no IPCA, temendo um aumento muito grande na inflação no futuro, ele poderá optar pela linha já usada. “Se o cliente tiver esse receio, ele pode continuar com TR. Exatamente por causa disso, um componente do IPCA mais volátil, que a gente reduziu tanto, para 4,95%”, disse o presidente da Caixa, Pedro Guimarães..

Construtoras

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, a medida deverá favorecer o mercado. “A transferência do indexador da prestação do crédito imobiliário – da TR [Taxa Referencial], que não tem a confiança dos investidores, para o Índice de Preços [IPCA]– deve favorecer o mercado. [...] A atualização por Índice de Preços estimula o apetite para esses agentes [financeiros] comprarem os papéis”, disse Martins, em nota. Para Martins, a medida estimulará a concorrência, trará dinheiro novo e abrirá caminho para que os custos para o crédito imobiliário diminuam. “O consumidor final vai poder pagar menos em prestações, pois a economia brasileira vai ter um mercado real em vez de um ‘mercado de apostas'”, disse.