Tecnologia exige qualificação de 10,5 milhões até 2023

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Não será fácil, mas é preciso acelerar, pois a chamada Revolução 4.0 está aí

Não dá pra ter dúvidas. A tecnologia determina os rumos do mercado de trabalho em todos os setores. E o Senai, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, que vem formando pessoas há décadas para a indústria, mapeou as profissões mais demandadas e apresentou o levantamento na última segunda-feira (12). De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2019-2023,o Brasil terá de qualificar 10,5 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos níveis superior, técnico, qualificação profissional e aperfeiçoamento até 2023. No Ceará, a necessidade é de 350 mil.

Não será fácil, mas é preciso começar, pois a chamada Revolução 4.0 está aí. As áreas que mais vão demandar formação profissional são transversais. Significa que profissionais com esse perfil de qualificação trabalham em qualquer segmento, como profissionais de pesquisa e desenvolvimento, técnicos de controle da produção e desenhistas industriais, que atuam em várias áreas.E serão demandados para o referido período no País 1,7 milhão de trabalhadores com essa característica. nas demais áreas a demanda, segundo o Senai, será assim: metalmecânica (1,6 milhão), construção (1,3 milhão), logística e transporte (1,2 milhão), alimentos (754 mil), informática (528 mil), eletroeletrônica (405 mil), energia e telecomunicações (359 mil). 

Robotização

O levantamento mostra que a ocupação de condutor de processos robotizados apresentará a maior taxa de crescimento percentual do número de empregados, com 22,4% de aumento nas vagas disponíveis, enquanto o crescimento médio projetado para as ocupações industriais será de cerca de 8,5%. 

A demanda por qualificação prevista pelo Mapa inclui, em sua maioria, o aperfeiçoamento de trabalhadores que já estão empregados e, em parcela menor (22%), aqueles que precisam de capacitação para ingressar no mercado de trabalho. Essa formação inicial inclui a reposição em vagas já existentes e que se tornam disponíveis devido a aposentadoria, entre outras razões.

Assim os novos empregos que mais crescem estarão conforme o Mapa do Trabalho Industrial, além dos condutores de processos robotizados, entre pesquisadores de engenharia e tecnologia (aumento de 17,9%); engenheiros de controle e automação, engenheiros mecatrônicos e afins (14,2%); diretores de serviços de informática (13,8%); operadores de máquinas de usinagem CNC (13,6%).

Inserção

O número de empregos criados nessas ocupações ainda é baixo em relação ao total de empregados no Brasil, mas o crescimento acelerado reforça que profissões com base tecnológica são tendência no mercado de trabalho. “O mundo vive a 4ª revolução industrial e o levantamento mostra que o Brasil, mesmo diante das dificuldades econômicas, está se inserindo aos poucos na Indústria 4.0”, avalia o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi. “O Senai já está preparado para formar os profissionais para essas áreas, que, com a qualificação adequada, terão mais oportunidades de conseguir empregos”, complementa.

De olho na dinâmica do mercado de trabalho, o Senai lançou 11 cursos de aperfeiçoamento em tecnologias da Indústria 4.0, como ciber segurança e internet das coisas (Iot), assim como oferece, em parceria com a Microsoft e a Amazon, cursos de inteligência artificial e de computação em nuvem. Informações e inscrições podem ser feitas no site: mundosenai.com.br. Além disso, a instituição reformula todos os já existentes para incluir os conhecimentos que serão exigidos dos profissionais do futuro.