Cai otimismo de economistas do Ceará na 1ª análise do ano

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Dólar em alta, inflação e salários geraram impacto na análise do primeiro bimestre deste ano, na percepção de 103 especialistas em economia do Ceará Foto: Freepik

Dólar ainda mais valorizado, inflação e salários são três indicadores que ampliam a percepção negativa dos economistas cearenses nesse início de 2020. O primeiro levantamento do ano sobre as perspectivas dos analistas em relação ao quadro econômico nacional apresentou, portanto, uma redução do otimismo nas variáveis analisadas em relação à pesquisa anterior.

O levantamento é realizado em parceria da Fecomércio-CE e o Conselho Regional de Economia (Corecon-Ce) e tem periodicidade bimestral. Colheu as expectativas de 103 especialistas em economia e o otimismo declinou de 7 para 6 variáveis no estudo de janeiro e fevereiro, divulgado nesta quarta-feira (12).

A pesquisa anota de zero a 200 pontos as variáveis analisadas. Abaixo de 100 pontos configura-se uma situação de pessimismo e acima desse valor, otimismo. As variáveis indicando pessimismo mostraram as seguintes pontuações: taxa de inflação (90,4 pontos); salários reais (85,4 pontos) e taxa de câmbio (72,7 pontos). 

Câmbio x inflação

O professor e economista Ricardo Eleutério Rocha, analista econômico da pesquisa, explica que embora a projeção de inflação (IPCA) ainda esteja pelo centro da meta do Banco Central, a alta do dólar, que já supera os 7% neste ano, terminará por produzir efeitos inflacionários. 

"Taxa de juros muito baixa fica casada com taxa de câmbio mais alta. Temos visto superávits menores na balança comercial, investidores estrangeiros mais saindo do que entrando em Bolsa. São elementos domésticos, que  têm impulsionado o câmbio para cima. Além da maior aversão ao risco no mercado mundial em função do coronavírus, que termina por puxar a taxa de câmbio nas economias emergentes para cima", ressalta Ricardo Rocha.

Variáveis positivas

Os economistas consideraram otimistas os seguintes indicadores: evolução do PIB (161,6 pontos); oferta de crédito (146,6 pontos); nível de emprego (139,4 pontos); taxa de juros (119,2 pontos); gastos públicos (117,2 pontos) e cenário internacional (103,5 pontos).

Considerando a soma das variáveis, o índice de percepção geral passou de 118,2 pontos para 115,0 pontos, uma redução de 2,7% no otimismo em relação à pesquisa anterior. Sobre o comportamento futuro das variáveis, a pesquisa também apresenta redução no otimismo, de 4,6%. Além disso, cabe destacar que a percepção sobre o desempenho presente revelou uma leve piora nas expectativas de 0,6%, registrando 110,7 pontos. Os resultados da pesquisa refletem a evolução da dinâmica macroeconômica do País.

As expectativas movem os agentes econômicos impactando, positivamente ou negativamente, o comportamento das diversas variáveis econômicas como consumo, investimento, poupança, taxa de juros, dentre outras. Ao mesmo tempo, a performance, positiva ou negativa das variáveis, índices e indicadores econômicos interfere na percepção dos diversos agentes econômicos. Assim, as expectativas são a um só tempo causa e consequência do comportamento econômico.

Representatividade

A 35ª edição da pesquisa Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE) reúne profissionais da indústria, agricultura, setor público, mercado financeiro, comércio e serviços. Economistas, empresários, consultores, executivos de finanças, professores universitários, pesquisadores, analistas e dirigentes de entidades diversas.