Bilionários no Brasil ampliaram patrimônio em US$ 34 bilhões

renda
A realidade brasileira já mostrava que o contingente 0,1% mais rico ganha 72 vezes mais que os 50%  mais pobres Foto: Freepik

Em meio à pandemia do novo coronavírus mais um indicador da flagrante desigualdade de renda no Brasil. A ONG Oxfam revela que o patrimônio dos bilionários brasileiros saltou US$ 34 bilhões (cerca de R$ 176 bilhões) durante a pandemia de coronavírus.

O levantamento mostrou que de 18 de março a 12 de julho, o patrimônio dos 42 bilionários do Brasil passou de US$ 123,1 bilhões para US$ 157,1 bilhões. A realidade brasileira já mostrava que o contingente 0,1% mais rico ganha 72 vezes mais que os 50%  mais pobres.

Desigualdade extrema

Outra situação já constatada em outros indicadores sociais é lembrada pela diretora executiva da Oxfam, Kátia Maia: “a Covid-19 não é igual para todos. Enquanto a maioria da população se arrisca a ser contaminada para não perder emprego ou para comprar o alimento da sua família no dia seguinte, os bilionários não têm com o que se preocupar”.

Taxar a riqueza

O documento divulgado nesta segunda-feira, 27, é chamado de “Quem Paga a Conta? – Taxar a Riqueza para Enfrentar a Crise da Covid na América Latina e Caribe”, a Oxfam propõe que os bilionários paguem impostos extraordinários e que o sistema tributário se torne mais progressivo.

Para o ex-ministro Guilherme Afif Domingos, assessor especial do ministro Paulo Guedes, da Economia, entretanto, é mais eficiente criar um imposto sobre transações financeiras, como era a CPMF, do que taxar grandes fortunas. "Quem tem grande fortuna tem uma bruta mobilidade. E nós precisamos dessa fortuna aqui, para o nosso investimento", afirmou. "Eu prefiro um imposto sobre todas as transações, do que querer pegar um imposto sobre grande fortuna que o cara possa fugir. Então, eu acho que não é eficaz", defende.

Os dados analisados pela Oxfam foram extraídos da lista dos mais ricos da Forbes. Quando se observa o desempenho das fortunas dos 73 bilionários da América Latina e do Caribe, o cenário é o mesmo: eles aumentaram as suas fortunas em US$ 48,2 bilhões entre março e julho deste ano. A Oxfam ressaltou que esse valor equivale a um terço do total de recursos previstos em pacotes de estímulos econômicos adotados por todos os países da região.

Mas, a equação atual é assim: na medida em que aumenta a quantidade de bilionários na América Latina e no Caribe, o número de desempregados também cresce. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apurou que a pandemia de coronavírus deixou 41 milhões de desempregados na região. Enquanto o Banco Mundial estima que 50 milhões de latino-americanos cairão abaixo da linha da pobreza este ano.