Escalada de preços na inflação do consumo de itens básicos

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Não é só o novo coronavírus que escala. Os preços de produtos pra lá de básicos estão registrando avanços bem além dos níveis da inflação oficial Foto: Fotomontagem Regina Carvalho

A escalada de preços vai na contramão do consumo. Toda dona de casa é também uma economista doméstica no sentido mais prático, pois tem clara noção quando ocorre pressão sobre os preços e é o que mais se tem visto atualmente.

A inflação está na mesa, no transporte, na habitação, mesmo em tempos de crise e pandemia. Os vilões neste ano em Fortaleza e Região Metropolitana, notadamente no semestre, são o feijão, com alta de 55,64%; a carne, que saltou 30,53% e o óleo, que já atingiu aumento de 23,94%. 

Mas ainda há muitos produtos pra lá de básicos na lista de compras com trajetória só de alta, como o arroz (22,27%), farinha (22,15), açúcar (12,83%) e o leite (6,63%). Ao mesmo tempo, a inflação do período medida pelo ìndice de Preços ao Consumidor Amplo(IPCA), IBGE para o primeiro semestre em Fortaleza e Região Metropolitana é de apenas 0,34%, enquanto que em 12 meses acumula 2,65%.

"Muita gordura"

Constata-se claramente que os preços acumulam muita gordura, uma trajetória de alta exageradamente superior à inflação. A disposição do consumidor para ir às compras pode até existir, mas é freada com a marcha dos preços, sem falar no desemprego e dificuldades financeiras exacerbadas com a crise trazida pela pandemia.

Ascensão continua

Em julho, a tendência de alta permanece. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a chamada prévia da inflação, apresentou avanço de 0,31% em julho, após o resultado de 0,02% registrado em junho, na Região Metropolitana de Fortaleza. 

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 1,72% e, nos últimos 12 meses, a variação acumulada foi de 2,62%, acima dos 2,52% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em julho de 2019, a taxa havia sido de 0,21%.

Energia e gasolina

No grupo habitação, destaca-se a alta na energia elétrica residencial (5,15%), enquanto os artigos de limpeza recuaram 0,49%. No grupo Transportes, destaca-se a alta nos pneus (2,60%), óleo diesel (2,11%) e gasolina (1,59%). Já os maiores recuos vieram dos transportes por aplicativo (-14,85%).

Após quatro meses consecutivos de quedas, a gasolina subiu 4,47% e, com ela, também a prévia da inflação de julho. O grupo dos Transportes teve alta de 1,11% e exerceu o principal impacto sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que ficou em 0,30%.

Quem voltou a trabalhar agora já se deparou com preços mais altos dos combustíveis (4,40%). A gasolina, que vinha caindo, aumentou 4,47% pela prévia da inflação de julho; o etanol, 4,92%; o óleo diesel, 2,50% e o gás veicular, 0,01%. Ainda nos Transportes, houve alta também nas tarifas de metrô (2,00%), puxada principalmente pelo reajuste de 8,70% nas passagens do Rio de Janeiro, que entrou em vigor no dia 11 de junho.

Por outro lado, o transporte por aplicativo (-11,98%) e as passagens aéreas (-4,16%) ficaram mais baratos. Os bilhetes de avião já vinham caindo de preço, tendo registrado quedas de 27,08% em maio e de 26,08% em junho, acumulando, com a nova queda, um recuo de 48,34% nos últimos três meses. E o custo do táxi (-0,10%) também teve redução, especialmente devido ao cancelamento do reajuste que havia ocorrido em janeiro no RJ (-0,47%).

Alimentação

No grupo alimentação e bebidas, destacaram-se as altas nos produtos fígado (6,34%) e queijo (5,79%) e queda nos tubérculos, raízes e legumes (-10,39%). Do lado das quedas, alimentação e bebidas (-0,16%) teve o segundo maior recuo, seguido de artigos de residência (-0,07%), comunicação (-0,05%) e educação (-0,03%).

Cerveja e sorvetes

Na alimentação fora do domicílio (-0,06%), o item cerveja teve alta de 0,93% e o item sorvete 0,49%, já os lanches tiveram retração (0,06%). Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco apresentaram queda em julho, sendo a maior queda no grupo vestuário (-0,83%) e a maior alta em Habitação (1,60%). A segunda maior variação positiva veio de Transportes (0,48%), também tiveram elevação de preços o grupo saúde e cuidados pessoais (0,21%) e despesas pessoais (0,06%).