Endividamento do fortalezense cai, mas inadimplência sobe

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Na comparação com o nível de endividamento em maio de 2020, frente a igual mês de 2019 (54,7%), houve um salto de 20 pontos percentuais, aponta o IPDC Foto: Freepik

Os primeiros impactos dos tempos de pandemia de Covid19 começam a virar números da nova realidade do bolso do consumidor.  O patamar de endividamento mostrou um recuo em maio frente a abril de 2020 de 8,4 pontos percentuais (p.p.), passando de 83,1% para 74,7%. Com a restrição das saídas de casa, as dívidas estão se concentrando mais em alimentação. Os números são do Perfil de Endividamento do Consumidor de Fortaleza, do IPDC, Fecomércio-CE.

No trimestre encerrado em maio (mar20-mai20) a média de endividamento foi de 74,3%. Mas, na comparação com o nível de endividamento em maio de 2020,frente a igual mês de 2019 (54,7%) houve um salto de 20 pontos percentuais no indicador.

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Mas quem são

predominantemente essas pessoas? O perfil do endividado em Fortaleza concentra-se no sexo feminino, na faixa etária de 25 a 34 anos, com grau de escolaridade fundamental e renda menor que cinco salários mínimos.

Dívidas em atraso

Ainda que com uma redução no endividamento em maio frente a abril, os consumidores com dívidas em atraso na Capital cearense cresceram 1,8 pontos na mesma comparação, passando de 25,3% em abril, chegando a 27,1% em maio. No trimestre (mar/20-mai/20 ) verificou-se uma ascendência dos consumidores com dívidas em atraso contribuindo para uma média trimestral 24,1%.

Uma das causas principais quanto às dívidas em atraso refere-se ao adiamento dos pagamentos, tendo em vista a transferência desse valor para outras finalidades de acordo com respostas de 62,5% dos entrevistados. Isso contribui para um desequilíbrio financeiro nas contas pessoais, que tem como causa principal a falta de planejamento orçamentário.

Na prática, 45,6% dos consumidores alegaram que não fizeram orçamento e controle dos rendimentos e gastos, ou se fizeram, foi de modo ineficaz; seguido da redução dos rendimentos (25,5%); gastos imprevistos, por motivo de doenças, morte, acidentes, etc. (22,6%), desemprego (20,4%), dentre outros.

Inadimplência

Quanto à inadimplência, no trimestre a taxa passou a ser ascendente chegando a maio de 2020 com 14,6% dos consumidores inadimplentes, ficando com uma taxa acima do mesmo mês em 2019 que foi de 8,5%. Os fortalezenses nesta condição concentram-se na faixa de renda familiar de cinco a dez salários mínimos, predomínio do sexo masculino, com faixa etária acima de 35 anos, nível de educação fundamental.

Onde estão os gastos

Os bens e serviços comprados a prazo estão predominantemente no segmento de alimentação (57,1%) ,seguido de tratamento de saúde (29,6%), um retrato da situação atual, em que as famílias estão cada vez mais concentrando seus gastos no básico. A forma mais frequente da compra a prazo continua sendo o cartão de crédito (81,9%). Desta forma, os tipos de despesas que mais pesaram nas dívidas dos consumidores são os gastos essenciais, como: alimentação (48,7%); educação (15,0%); aluguel residencial (13,7%) e tratamento de saúde (12,9%).
 

Renda mais comprometida

O comprometimento da renda familiar para pagamento das dívidas em maio foi de 40,2%, aumentando em 4,0 pontos percentuais em relação ao mês de abril/20. E, com relação ao mês de maio do ano anterior (2019), também se mostrou ascendente com avanço de 4,7%.

O tempo médio em que uma família fortalezense compromete a renda familiar para pagamento de dívidas gira em torno de sete meses, sendo que o resultado da pesquisa, o período entre 3 meses e 1 ano predominou com 39,9% dos consumidores que possuem a sua renda comprometida para efetuar o pagamento de dívidas.